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Colapso na saúde | Ômicron: menos tempo de licença médica e mais trabalho precário para trabalhadores da saúde

A redução do tempo de quarentena por infecção ocasionada pela Covid-19 anunciada pelo Ministério da Saúde foi solicitada, para os trabalhadores da linha de frente dos hospitais e unidades de saúde, pelo setor privado. O tempo menor de afastamento trabalho que ocorrerá mediante a redução do tempo de quarentena para os trabalhadores da saúde significa mais riscos para as equipes e a população atendida. Essa medida se soma a uma realidade de precarização, falta de trabalhadores nas unidades que já significa sobrecarga de trabalho e dificuldade para atendimento nas unidades.

quarta-feira 12 de janeiro | Edição do dia

Desde o fim de 2021 a variante Ômicron vem impactando todo o mundo. Recordes mundiais de contágio estão sendo dia a dia superados e nesta última segunda-feira o Estados Unidos da América atingiu sozinho a marca de 1,35 milhões de casos e estabeleceu um novo recorde mundial de contágio. No fim de semana o continente africano ultrapassou 10 milhões de casos. No Brasil registrou nesta segunda-feira mais de 34 mil novos casos diagnosticados da Covid.

Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), já sinalizam que o aumento dos casos pode vir a sobrecarregar os sistemas de saúde mesmo que estejamos falando de uma variante menos agressiva e que encontra uma parte da população com o esquema de vacinação completo. A verdade é que desde o início da pandemia da Covid-19 os profissionais da linha de frente na saúde encontram-se sobrecarregados, um cenário que tende a se aprofundar com o avanço do aumento dos casos. Mas a realidade de sobrecarga, o cenário precarização estrutural do SUS, já é sentido pelos profissionais da saúde, em especial aqueles que estão nas unidades básicas e/ou nas unidades que estão realizando a testagem da população.

Os novos impactos da Ômicron, como a gravidade e também o tempo de transmissão e a forma como essa corre, vem trazendo à tona novos debates e normativas de cuidado para o contágio e tempo de afastamento dos trabalhadores. Nesta semana, 10/01/2021, o Ministério da saúde reduziu o tempo de isolamento para as pessoas que testaram positivo para a Covid-19. As mudanças impactam no tempo de afastamento dos profissionais do trabalho e no caso dos profissionais de saúde no tempo em que não estarão em contato com populações mais vulneráveis à forma grave da doença.

Na área da saúde a medida havia sido solicitada ao Ministério da Saúde pelos hospitais privados. Como argumento foi utilizado o aumento dos casos e o impacto no corpo de funcionários devido a contaminação destes trabalhadores pela Covid-19. Desta forma, mais uma vez buscam transferir para os trabalhadores os custos da falta de preparo para enfrentar a Covid-19 e qualquer aumento da demanda nas unidades de saúde, como aconteceu também frente ao surto de Influenza.

Como se já não bastasse a baixa remuneração, as longas jornadas de trabalho, a falta de condições adequadas de trabalho e de materiais para proteção individual os trabalhadores da saúde, em sua maioria mulheres, agora terão seu tempo de recuperação reduzido e a possibilidade de terem de retornar ao trabalho após a contaminação em condições de risco para a população atendida e seus colegas de trabalho. Uma medida que mostra o despreparo orquestrado pelos governos, federal, estaduais e municipais, que em 2 anos de pandemia não avançaram em reverter o quadro de falta de profissionais, leitos, unidades de atendimento básico, estoques de testes, medicações e todos insumos necessários para o enfrentamento de novas ondas da pandemia.

Diante do avanço da Ômicron é fundamental a organização destes trabalhadores, que deveria ser fomentada pelos sindicatos, para o questionamento e luta contra as medidas irracionais tomadas pelos governos e pelos empresários frente à pandemia. Essa irracionalidade se expressa em longas filas nos centros de testagem, em sobrecarga de trabalho para os profissionais da linha de frente, na lotação da unidade e como já vimos em outras ondas: na morte de muitos trabalhadores que poderiam ser evitadas.




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