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França | Massiva paralisação docente na França contra os protocolos inseguros do governo Macron

Faz anos que não se via um movimento grevista de professoras e alunos contando com a solidariedade de mães e pais. Param e se mobilizam contra a situação calamitosa que vive a escola pública em meio a atual onda de Covid-19 e contra a gestão sanitária do governo.

sexta-feira 14 de janeiro | Edição do dia

O movimento grevista seguiu muito massivo nesta quinta-feira. Segundo o Sindicato Nacional de Ensino Secundário (Syndicat National des Enseignants de Second Degré - SNES-FSU), 62% do quadro das escolas secundárias esteve em greve nesta quinta-feira. No ensino primário, o maior sindicato docente das escolas primárias (Snuipp-FSU) fala em 75% de grevistas e metade das escolas fechadas. Em Paris são mais de 200 escolas fechadas desde o começo da jornada.

A jornada começou com assembleias em vários bairros ou distritos escolares, ali tanto professoras, professores, mães, pais e pessoal auxiliar das escolas debatem como enfrentar tanto o estado em que se encontra a educação pública na França como o novo protocolo que o ministro da educação Jean Michel Blanquer lançou para as escolas, considerado pouco claro e muito frouxo quanto às medidas sanitárias para preservar a comunidade dos contágios.

A revolta de trabalhadoras e trabalhadores da educação, junto com a de mães e pais foi crescendo à medida que a onda da variante Ômicron se estendia e crescia pelo país e o governo de Macron apenas buscava a todo custo manter as escolas abertas para poder garantir que mães e pais compareçam a seus trabalhos e assim não parar a economia e preservar os lucros dos empresários.

Por isso os sindicatos se viram obrigados a chamar à mobilização e paralisação nesta semana.

As assembleias que abriram esta jornada de luta para preservar a saúde e a educação pública na França tiveram a particularidade da unidade de toda a comunidade escolar, trabalhadores da educação, pais e alunos, onde se expressaram diversas vozes.

O pai de um estudante se comove: “Tem famílias inteiras afetadas pela Covid, podemos fazer mais. Nossas crianças se contagiam na escola. Somos conscientes do maltrato aos professores e nos solidarizamos com eles. Não podem suportar mais tempo e isso repercute na aprendizagem das crianças.”

Um professor universitário propunha: “Não podíamos prever a pandemia, mas também não poderíamos enfrentar a pandemia com essa gestão de m**. Estamos em greve e organizados. Devemos seguir nos organizando em assembleias gerais para decidir o que fazer.” Um condutor de trem declarou: “parabenizo os professores por ter ganhado a batalha pela opinião pública. Muitas vezes são acusados de ‘preguiçosos’ quando param contra as péssimas condições de trabalho. Todos estamos preocupados, todos precisamos nos unir!”

Esse é o estado de ânimo predominante entre trabalhadores e membros da comunidade escolar.

A polícia agride estudantes secundaristas

Desde muito cedo vários colégios tiveram suas portas bloqueadas por estudantes, a polícia armou um enorme operativo contra os jovens e em vários casos os agrediram.

Na França tanto as trabalhadoras e trabalhadores da educação, como da saúde e alimentação são os que estiveram na linha de frente, prestando os serviços essenciais, que o governo de Macron faz constantes desfeitas, e hoje com centenas de milhares de pessoas se infectando todos os dias pretende que a população viva suas vidas como se nada estivesse acontecendo, como um bom representante das classes dominantes.

Além de que na França, décadas de aplicação de políticas neoliberais de diversos governos levaram sobretudo a saúde e a educação a um estado desastroso. Por isso essa jornada de luta tem tanta adesão.

Este conteúdo foi produzido em base a informações contidas no site Révolution Permanente, o portal francês da rede internacional do Esquerda Diário




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