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CORONAVÍRUS

Guedes dá prazo para trabalhadores saírem da quarentena, mas diz preferir ficar em casa

segunda-feira 30 de março| Edição do dia

O ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que se o isolamento social não funcionar, a economia deve voltar à funcionar em 2 meses. Na videoconferência dada à Confederação Nacional de Municípios, Guedes defendeu medidas pare serem aplicadas contra os trabalhadores, enquanto ele mesmo ficaria em casa, na quarentena, longe dos riscos do coronavírus:

"Essa linha de equilíbrio é difícil, mas é coisa de dois ou três meses, vai rachar pra um lado ou para o outro. Ou funciona o isolamento em dois meses ou vai ter que liberar porque a economia não pode parar também, senão desmonta o país todo", disse, para logo em seguida afirmar que pessoalmente preferia fazer o isolamento:

"Eu, como economista, gostaria que nós pudéssemos manter a produção e voltar mais rápido. Eu, como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da saúde, já quero ficar em casa e fazer o isolamento ".

Quer dizer, para quem pode, o isolamento. Já para os trabalhadores, é "a economia" na cabeça se o isolamento não funcionar.

Enquanto isso, foram R$ 1,2 trilhões dados de presenta aos bancos durante o período do coronavírus, na forma de flexibilizações de regras e de juros. E estes bancos, ao invés de ajudar os trabalhadores, seguem querendo aumentar seus lucros cobrando juros mais altos ainda!

Vê-se logo o que significa "a economia funcionar" para Paulo Guedes: os trabalhadores se arriscarem, e milhares destes até morrerem, para que os capitalistas possam seguir lucrando!

Guedes, que quis dar um auxílio de R$ 200,00 para os autônomos, uma afronta total por parte de um grande capitalista que odeia os pobres, em especial as empregadas domésticas, é um dos grandes defensores do neoliberalismo - da privatização de tudo, mantendo o Estado controle apenas das forças de seguranças e exército. O Brasil é o retrato deste fracasso, pois é por causa da privatização e sucateamento da saúde pública que, hoje, milhares correr risco por causa do coronavírus. O capitalismo de Paulo Guedes não é capaz de combater uma gripe, esta é a realidade.

Enquanto pesquisadores país afora tentam buscar meios e soluções científicas para combater o coronavírus, os ministros de Bolsonaro insistem em soluções ultrapassadas: neste caso, o neoliberalismo, comprovadamente falido, hoje representa a possibilidade de uma gravíssima crise social se "a economia continuar funcionando" como Paulo Guedes quer.

Enquanto o Congresso transforma o "neoliberalismo raiz" em um neoliberalismo "light" - com o aumento da renda básica de R$ 200,00 para R$ 600,00, que ainda precisa ser aprovado -, os trabalhadores seguem à mercê de um sistema que se organiza para produzir segundo o lucro, e que não supre as necessidades básicas, como hoje é o combate ao covid-19. Por isso é preciso organizar-se de maneira independente tanto da variante "negacionista" de Bolsonaro, quanto para superar a miséria neoliberal de Rodrigo Maia e consortes, impondo o controle operário da produção para superar esta crise produzindo máscaras, respiradores, estatizando leitos privados, colocando enfim a vida dos trabalhadores acima do lucro dos capitalistas.




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