Mundo Operário

#SintuspFICA

Defender o SINTUSP é defender o direito de organização de todos os trabalhadores

Faltando apenas três dias para o recesso de natal a reitoria da Universidade de São Paulo avança para atacar o sindicato dos trabalhadores da USP.

Bruno Gilga

Diretor de Base do Sindicato da USP.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quarta-feira 21 de dezembro de 2016| Edição do dia

Em 2016, e principalmente pós golpe institucional, uma série de ajustes e ataques vindos do governo golpista de Temer e do legislativo afetam os trabalhadores e a juventude de forma brutal. O congelamento de gastos com saúde e educação por 20 anos, a PEC 55 - PEC do fim do mundo, que vai afetar brutalmente também a universidade e os hospitais universitários, e a reforma da previdência condenam os trabalhadores a uma vida de exploração e precarização. Governos e patrões estão unidos para despejar nas costas dos trabalhadores a crise econômica. Neste contexto a reitoria da maior universidade do país, a USP, está alinhada ao objetivo de destruir os direitos básicos da população, como educação e saúde, e dos trabalhadores.

A USP é a maior – e talvez a mais elitista – universidade do país. Está no ranking das melhores universidades do mundo. Neste universo está mais de 15 mil trabalhadores que cotidianamente ajudam a construir essa universidade, sua fama e seus prêmios. Cotidianamente também a USP é um campo de batalha entre trabalhadores e a reitoria com seu projeto privatista e de destruição da universidade pública e precarização do trabalho.

A atual gestão, sob o comando de Marco Antonio Zago, já sucateou o hospital universitário e os aparelhos de saúde que atendem à população. O que Zago chamou em entrevista de “gordura pra queimar” é um dos principais hospitais de referência da Zona Oeste tão carente de atendimento de saúde. Além disso, fechou milhares de postos de trabalho com o PIDV (plano de incentivo à demissão voluntária) aumenta a sobrecarga de trabalho e a precarização. Fechou também, desde 2015, as vagas nas creches da USP impedindo centenas de mães e pais estudantes de se manterem na universidade, além de prejudicar outra centena de trabalhadores (sobretudo as mulheres) da universidade que acabam não tendo como deixar seus filhos cuidados e educados em locais próximos ao local de trabalho.

Desde o início do ano de 2016 a reitoria da USP declarou guerra não apenas aos trabalhadores da universidade, mas também ao seu sindicato, o SINTUSP, e a sua sede física, ocupada há mais de 50 anos. Em fins de novembro a reitoria avançou nesse ataque, buscando a justiça para reintegrar a posse do prédio que o SINTUSP ocupa. A justiça concedeu a liminar que dá a reintegração de posse, porém o mandado ainda não foi expedido e o judiciário se encontra em recesso até o dia 09 de janeiro de 2017. A reitoria não contente decidiu por conta própria cercar a sede do sindicato, bem como o centro acadêmico da ECA (Escola de Comunicação e Artes) e o espaço de convivência estudantil.

Pra se contrapor à essa destruição da universidade a força dos trabalhadores é fundamental. E o SINTUSP, sindicato dos trabalhadores da USP, tem cumprido o papel de defesa dos direitos dos trabalhadores e da universidade e sendo uma verdadeira pedra no sapato dos projetos da reitoria. O histórico de luta e combatividade dos trabalhadores da USP e de seu sindicato é bastante extenso. Não à toa, em entrevista concedida a revista Veja, Zago coloca que, para efetuar seus planos privatistas de universidade, “é preciso acabar com a dinâmica de sindicalismo na universidade”.

O que o reitor da USP quer dizer com isso?

Zago não respeita nenhum direito básico dos trabalhadores, nem de estudantes ou mesmo da comunidade. É o direito constitucional de organização sindical dos trabalhadores que Zago quer atacar. Para ele, assim como para qualquer patrão, não existir um organismo de trabalhadores que defenda seus direitos é o melhor dos mundos. Mais, a reitoria não quer atacar um sindicato qualquer, quer atacar um sindicato combativo, classista e democrático que se apoia na democracia operaria para defender não apenas os direitos dos trabalhadores da USP, mas que se coloca a serviço de defender a universidade e a unidade das fileiras operárias, defendendo efetivos e terceirizados.

O Sintusp tem se colocado à frente da defesa da educação, exigindo mais verbas para a universidade, ampliação das vagas e cotas raciais para que todo filho de trabalhador tenha acesso à universidade e suas pesquisas e seus frutos estejam a serviço da população e não de empresas privadas. Defende irrestritamente todos os trabalhadores terceirizados exigindo sua imediata efetivação, para por fim à exploração de milhares de trabalhadores, sobretudo mulheres negras, por empresas terceirizadoras e fundações privadas (a maioria delas sob controle da burocracia acadêmica}. O Sintusp é, também, linha de frente da defesa da saúde, lutando contra a desvinculação dos hospitais como o HU (Zona Oeste) e o HRAC (Bauru) e seu sucateamento (projeto em curso de Zago), além da manutenção dos aparelhos de saúde da universidade, como o Ceseb e lutando contra as OSs (Organizações sociais) que são empresas privadas sem compromisso com uma saúde de qualidade, que lucram com a carência de hospitais em regiões como a Zona Oeste de São Paulo.

O Sintusp atua também, além dos muros da universidade, contra toda a forma de opressão e exploração, em defesa dos direitos da mulheres, através da sua secretaria de mulheres, dos negros, com a secretaria de negras e negros e combate ao racismo e as LGBTs com a secretaria LGBT. Onde os direitos estão sendo mais atacados, na saúde e educação, e os principais alvos dos ataques, mulheres e juventude negra e periférica, a defesa de tudo isso é parte da tradição do Sintusp e dos trabalhadores da USP.

Por isso o SINTUSP é alvo da reitoria da USP e com isso toda a tradição de luta dessa categoria, forjada na defesa da educação e dos direitos dos trabalhadores, é atacada quando se ataca o espaço físico deste sindicato.

A campanha democrática contra o despejo da sede do SINTUSP deve ser entendida como a defesa incontestável do direito dos trabalhadores de se organizar livremente, de ter um organismo que o represente e lute por seus direitos, que organize sua categoria e também a sua classe e que responda politicamente aos ataques à classe trabalhadora. Mais ainda, defender o SINTUSP é defender uma tradição de unidade dos trabalhadores e de defesa dos direitos de toda a população que é exemplo para todos os sindicatos do Brasil e do mundo. Ao ataca-lo, reitoria, governos e patrões atacam um símbolo de luta exemplar para todos os trabalhadores de todas as categorias.

Porque se hoje é a sede do Sintusp o alvo o ataque não para por aí. Todos nossos direitos, a saúde, a educação, a luta contra o machismo e o racismo – que já estão sendo duramente atacados pelo governo golpista de Temer – são alvos da reitoria, dos governos e dos patrões.

Em defesa do direito de organização sindical, saúde e educação: #SintuspFICA!

Assine e compartilhe o manifesto contra o despejo do Sintusp clicando aqui

Hoje às 12h30 reunião com trabalhadores e apoiadores na sede do SINTUSP.

Hoje às 20h Twitaço: #SintuspFICA




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