Sociedade

ZIKA VÍRUS

3935 mulheres estão enfrentando a demora para fazer exames de microcefalia nos bebês

terça-feira 23 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Uma realidade absurda o que 3935 grávidas estão enfrentando frente a angustia de não poder descobrir se o seu filho terá microcefalia. Os pais e mães que foram comunicados sobre a suspeita do bebê apresentar má formação, não receberam um diagnóstico claro. São obrigados a aguardar para fazerem exames como tomografia. Isso faz com que do total de notificações no Brasil, 74% são classificados como casos em investigação. O maior percentual ocorre no Norte, onde 87% dos registros seguem sem esclarecimento, porém no Sudeste esta situação não é muito diferente. A taxa de casos em investigação nos Estados da região é de 84%.

Isso não chega a ser surpreendente, em um país que tem realizado diversos cortes e ajustes na Saúde, para honrar o pagamento da dívida pública. No entanto, nem por isso é menos chocante que milhares de mães e famílias, que já não têm o direito de decidir se querem seguir a gestação, ou serviços de atendimento adequados caso se decidam por isso, sequer possam saber sobre a situação de seus bebês. Exames fundamentais para o diagnósticos estão levando até três meses para ser feitos, sendo que uma ultrasson é um exame simples que poderia ser realizado quantas vezes necessárias.

Desde quando a situação de emergência sanitária nacional foi declarada, apenas 1345 casos foram esclarecidos. Esta soma é menor do que o total de casos suspeitos que aguardavam avaliação no final de dezembro.

Isso é o resultado de uma política levada adiante pelo PT na esfera federal, e em que nada se diferenciam os governos dos estados. Enquanto o governo e setores da oposição burguesa discutem no congresso qual é o tamanho dos cortes do orçamento em Saúde e Educação, e do ajuste fiscal, estamos vendo o enorme sofrimento destas famílias que estão lidando com a questão do Zika Vírus.

Enquanto até a ONU, e os próprios grandes meios, estão discutindo que é necessário garantir o direito ao aborto em casos de crianças nascida com microcefalia, como se expressou no editorial do jornal carioca O Globo de 22 de fevereiro, o governo de Dilma atendendo os interesses dos seus aliados conservadores não colocou um plano pra legalizar esse direito democrático básico. Este mesmo Estado não garante o direito ao aborto, não garante também a assistência necessária para que estas crianças que nascem com microcefalia possam se desenvolver e nenhuma política efetiva de prevenção de contato com os mosquitos e o Zika Vírus.

É necessário fazer com que os grandes capitalistas paguem pela crise econômica, tirando dos seus imensos lucros para tratar a questão da Zika, assim como exigir o não pagamento da dívida pública. Ao mesmo tempo é preciso estatizar todos os hospitais e rede de saneamento básico sob o controle dos trabalhadores e da população pobre. É preciso exigir que as mulheres trabalhadoras grávidas devam ter direito a licenças remuneradas de seus trabalhos caso desejarem, podendo recorrer a casas abrigo transitórias para se proteger dos mosquitos. Todos devem receber repelentes e telas mosqueteiras gratuitas do governo, e ter toda a assistência médica necessária. Só assim é possível dar uma resposta mais de fundo para a questão da microcefalia e para os casos de Zika.




Tópicos relacionados

Zika Virus e Microcefalia   /    Sociedade   /    Direito ao aborto

Comentários

Comentar