Educação

CORTES NA UERJ

UERJ anuncia que irá cortar português do vestibular por conta da crise orçamentária

A instituição anunciou que a medida emergencial é necessária para garantir que a prova possa ser viabilizada financeiramente.

quinta-feira 10 de agosto| Edição do dia

O vestibular da UERJ atualmente é composto pela prova de português instrumental, redação e duas avaliações específicas da área para que os candidatos concorrem. Com a mudança anunciada pela instituição, a prova de Língua Portuguesa Instrumental será retirada do exame.

Ainda, segundo o informe da UERJ, o livro exigido como leitura obrigatória para a prova, "Dom Casmurro", de Machado de Assis, será utilizado como base para a redação aplicada na prova.

O vestibular é tradicionalmente uma prova utilizada para garantir uma aparência de "objetividade" e um critério de suposto mérito no processo excludente que é um filtro social para manter a juventude trabalhadora, sobretudo os negros, de fora da universidade.

A UERJ é uma das universidades públicas com acesso menos restritivo e mais democrático no país, tendo sido a primeira a implementar as cotas raciais e com um vestibular que, diferente de outras instituições, se baseia muito menos em conhecimentos ultra-específicos do currículo do Ensino Médio e possui uma prova mais geral.

A retirada da prova de Língua Portuguesa Instrumental, sem dúvida a parte da prova que é mais "democrática" por ser menos específica em relação a determinada área de conhecimento que a maior parte dos estudantes de escolas públicas não têm acesso durante sua formação, será também um mecanismo que irá acentuar o peso das áreas específicas na prova.

Mesmo os que defendem que há um intuito "pedagógico" na aplicação do vestibular dizem acreditar que a medida é nociva, como afirmou a O Globo a educadora Andrea Ramal, especialista na área: "É uma perda de qualidade. Há questões econômicas por trás disso, às vezes é necessário fazer o que é possível. Mas, analisando a questão objetivamente, pelo ponto de vista educacional é uma perda muito grande, porque a redação não permite analisar todas as variantes e competências do aluno com relação ao uso da linguagem. Além disso, quando se pensa na carreira acadêmica e no mercado profissional esse bom uso é fundamental."

Ela também admite que as escolas se pautam pelo conteúdo dos vestibulares, e vê, portanto a possibilidade de que esse corte afete inclusive os currículos escolares:

"Traz um impacto ruim para a prepração nas escolas. Querendo, ou não, as escolas pautam os útimos anos em cima dos vestibulares, isso pode ocasionar uma redução da carga de estudo dedicada à Língua Portuguesa."

Crise já atinge número de inscritos

A incerteza em relação ao futuro da UERJ - que tem levado ao atraso dos salários, dos semestres letivos e das bolsas, bem como ao agravamento de condições de infraestrutura como a ausência do único bandejão da instituição no campus central - já tem levado a uma drástica queda no número de inscritos no vestibular.

Na última edição, ocorrida em 16 de julho, foram 37.393 inscritos, enquanto no ano passado foram 80.251. Não apenas o número de inscritos caiu vertiginosamente, mas também a evasão de estudantes aumentou de forma aguda.




Tópicos relacionados

Crise no Rio de Janeiro   /    Estudantes Rio de Janeiro   /    UERJ   /    Rio de Janeiro   /    Educação   /    Rio de Janeiro

Comentários

Comentar