Gênero e sexualidade

COBERTURA INTERNACIONAL - 8 DE MARÇO

Na Argentina, milhares de mulheres foram às ruas

Neste 8 de março milhares de mulheres, nas ruas, enfrentaram os planos do governo de Macri. A mobilização foi o pontapé inicial das que começamos a organizar a resistência contra o ajuste, os tarifaços e os ataques aos nossos direitos, e que também seguiremos insistindo com a necessidade de legalizar o aborto, acabar com as redes de tráfico de mulheres e continuar na luta para que não haja Nem Uma Menos.

Andrea D’Atri

@andreadatri

quinta-feira 10 de março de 2016| Edição do dia

Mais de 10 mil trabalhadoras, estudantes, donas de casa, ativistas nos manifestamos na Cidade de Buenos Aires, comemorando o Dia Internacional das Mulheres.

Desde o Congresso até a Praça de Maio marchamos com as Mães da Praça de Maio – fundadoras Nora Cortiñas e Mirta Baravalle, com as deputadas federais da Frente de Esquerda Myriam Bregman (PTS) e Soledad Sosa (PO) e dezenas de agrupações estudantis, centros acadêmicos, organizações sindicais, sociais, organismos de direitos humanos e agrupações feministas, além dos partidos de esquerda.

O Pão e Rosas participou com um grande bloco de professoras, funcionárias públicas, da telefonia, aeronáuticas, da indústria alimentícia, enfermeiras, estudantes universitárias, técnicas e secundaristas, onde se destacaram as mulheres de Madygraf (ex-Donnelley), que foram acompanhadas pelo legislador de Buenos Aires Patricio del Corro (PTS/Frente de Esquerda) e outros companheiros. Além de acompanhar as consignas acordadas unitariamente, o Pão e Rosas levantou a demanda de liberdade a Milagro Sala.

Assim que chegamos à Praça de Maio, foi lido um documento previamente consensuado entre todas as organizações que convocavam a marcha, onde se repudiou a política de Macri e se denunciou quais foram as consequências da “década ganha” do kirchnerismo, para as mulheres.

O kirchnerismo optou por marchar sozinho (e pouco)

Apesar de que propusemos impulsionar a unidade das mulheres nas ruas para enfrentar o ajuste, o protocolo repressivo “antipiquete” e exigir o direito ao aborto, entre outras demandas, as organizações kirchneristas optaram por se concentrar no monumento a Julio A. Roca para reivindicar que seja substituído por uma escultura que represente uma mulher nativa.

Pouco mais de mil pessoas responderam ao seu chamado, centralmente convocado por Tupac Amaru, ainda que também estiveram presentes as bandeiras do Movimento Evita, A Campora, ATE Capital e Novo Encontro, entre outros. Sua recusa em participar na convocatória unitária massiva não tem outro propósito a não ser ocultar seu escasso interesse em mobilizar as mulheres para organizar a resistência aos planos que Macri nos tem reservado. Fazer isso levaria, inevitavelmente, a que tivesse que explicar por que durante todos esses anos não se mobilizaram mais do que para homenagear a presidenta que impediu que tivesse quórum para o tratamento da legalização do aborto, que permitiu que o Vaticano escrevesse o novo Código Civil a sua medida e que descreveu como “vagabundas” as professoras, enquanto reprimia com gases e balas de borracha as famílias trabalhadoras que enfrentavam as demissões em Lear.

Mulheres em todo país

As mulheres foram protagonistas de mobilizações em Rosário, Jujuy, Tucumán, Neuquén, Salta, Mendoza, e outras cidades do país. Em Córdoba a marcha foi encabeçada pelas funcionárias públicas demitidas.

Macri já pode ficar ciente de que as mulheres não vamos ficar sentadas de braços cruzados frente aos ataques de seu governo. Este foi apenas um pontapé inicial da resistência que estamos organizando nos lugares de trabalho e de estudo, nos bairros e em cada canto do país. Queremos colocar em pé um movimento de centenas de milhares de mulheres que, nas ruas, voltem a lutar por todos nossos direitos.




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