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Luta por Cotas na USP: reunião prepara forte mobilização para esse mês

Em uma reunião convocada pelo Núcleo de Consciência Negra, a frente Porque a USP não tem cotas?, e o DCE livre da USP, dezenas de estudantes e trabalhadores de dentro e fora da universidade de São Paulo se reuniram na noite dessa segunda-feira para debater as formas de intensificar a campanha pela aprovação das cotas-étnico raciais na universidade.

terça-feira 6 de junho| Edição do dia

A conquista histórica da aprovação do princípio de cotas étnico-raciais na Unicamp, foi uma importante conquista fruto da intensa mobilização que pautou o debate dentro e fora da universidade. Essa decisão fez com que a USP se tornasse a última das estaduais paulista, que do alto do seu extremo racismo e elitismo de universidades criadas para os herdeiros da casa grande, recusa a pautar as cotas raciais.

Para preparar uma forte mobilização durante todo o mês de junho, por cotas já na USP, foi convocada uma reunião na última segunda-feira, que contou com a participação de organizações do movimento negro de dentro e fora da USP, centros acadêmicos, DCE, Sintusp e movimentos sociais. Dezenas de jovens buscando construir um calendário comum de mobilização em defesa das cotas raciais, contra o elitismo e o racismo das universidades.

Segundo Willian Garcia, diretor do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire (CAPPF) da Faculdade de Educação da USP: “A reunião foi muito importante para tirarmos um calendário comum de mobilização, nesse quinta-feira, dia 8 de junho, pretendemos fazer uma ato-debate em defesa das cotas raciais na USP. Nos dias 20 e 21 de iremos organizar o II Festival Por que a USP não tem Cotas?. Em nossa assembleia geral do dia 13, pretendemos propor que os cursos paralisem no dia 22, dia me que o projeto de cotas etnico-raciais apresentado pelo movimento será pautando na reunião da Comissão de Graduação. A ideia é construir um forte ato em frente ao local da reunião. Como parte dessa preparação, desde o CAPPF estamos convocando uma mesa sobre cotas raciais na USP, para o dia 12 de junho.”

Segundo Marcello Pablito, diretor da Secretaria de Negros e Negras do Sindicato de Trabalhadores da USP, “Essa reunião foi muito importante porque expressou uma força que o movimento tem para colocar contudo o debate das cotas dentro da universidade. Desde a secretaria de negros, viemos discutindo a necessidade de lutar pelas cotas não só entre as vagas para estudantes de graduação e pós, mas também para os concursos de professores e funcionários. A luta por cotas raciais dentro da universidade de São Paulo é parte muito importante do combate contra essa a reitoria racista, que explora centenas de negros por meio do trabalho precário e da terceirização, e ainda por cima, persegue e tenta punir aqueles que lutam contra essa realidade. Queremos conquistar as cotas já e avançar para rumo com o filtro social e racial do vestibular, para que todo jovem possa ter direito de estudar.

Queremos esse mês incendiar a universidade com a discussão das cotas raciais, a conquista na Unicamp mostrou que com a força da nossa mobilização podemos nos enfrentar com os herdeiros da casa grande e colocar na ordem do dia o debate racial dentro da universidade. Nossa luta pela aprovação imediata por cotas, é um grito contra o racismo perpetuado dentro dos muros dessa universidade, que tem entre seus intelectuais professores que perpetuam o mito da democracia racial, ou que de forma mais abertamente racista ensinam em suas aulas e que os negros são biologicamente inferiores aos brancos. Queremos que a juventude negra possa entrar dentro da USP para disputar que o conhecimento produzido aqui, esteja a serviço do nosso povo. Com a força do nosso movimento poderemos construir um grande debate dentro e fora da universidade, que possa impor a aprovação das cotas etnico-raciais na USP.”, declarou a estudante de letras e militante da juventude Faisca, Odete Cristina.




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