Internacional

ELEIÇÕES NA BOLÍVIA

Eleições bolivianas: Denunciam decisão da Justiça Eleitoral de eliminar a contagem rápida

Na noite de sábado o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Salvador Romero, anunciou a retirada do “Direpre” (Divulgação dos Resultados Preliminares) para “priorizar os resultados da apuração oficial para dar certeza”. Sebastián Michel, porta-voz do MAS, destacou que a medida aprofunda a desconfiança neste órgão.

domingo 18 de outubro| Edição do dia

Neste domingo, praticamente um ano após o golpe, estão ocorrendo as eleições presidenciais; possivelmente o processo eleitoral mais observado na história contemporânea. Com uma forte presença policial e militar iniciada ontem à noite, com dezenas de milhares de uniformizados nas ruas, começam as eleições onde a proteção dos registros eleitorais estará nas mãos dessas forças repressivas, que são nada menos, as que realizaram o golpe de novembro do ano passado.

Em meio a um cenário de profunda tensão e incerteza e de forte polarização política e social, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salvador Romero, anunciou ontem a retirada do “Direpre”, ou seja, do sistema de “Divulgação de Resultados Preliminares" que substituiu o sistema TREP nas eleições anuladas de 2019. Romero afirmou que a medida foi tomada por “unanimidade” dos membros do plenário deste órgão com o argumento de que após a realização dos exercícios perceberam que os Direpre "não nos garante que temos um volume de informações suficiente para nos assegurar que seus dados estarão muito próximos dos dados oficiais."

Neste domingo, mais de sete milhões de bolivianos poderão votar para eleger o presidente e o vice-presidente e a Assembleia Legislativa que será renovada pelos próximos cinco anos.

Os 5.134 recintos eleitorais organizados em todo o país começaram a funcionar às 08:00 horas locais e funcionarão nove horas ininterruptas até às 17:00, altura em que está previsto o encerramento das colégios.

Além disso, o Tribunal Supremo Eleitoral autorizou 301.631 residentes em cerca de trinta países, a maioria na Argentina, Espanha e Brasil.

No Chile, onde existe a quarta comunidade boliviana apta a votar, apenas os residentes de Santiago poderão fazê-lo devido às restrições contra a pandemia que ainda vigoram no norte do Chile. Algo semelhante ocorre em Mendoza, província argentina, onde o governo local restringiu a possibilidade de voto. Nem os autorizados no Panamá, cujo governo não autorizou o desenvolvimento de eleições bolivianas em seu território.

A decisão do TSE de eliminar a contagem rápida levou ao rechaço de alguns candidatos. Luis Fernando Camacho em declaração pública de sua aliança “Creemos” destacou que a determinação viola irremediavelmente o princípio norteador da transparência e publicidade e solicita que o TSE reconsidere sua decisão "pelo bem da democracia e pela credibilidade das eleições deste 18 Outubro".

Também foram divulgados declarações públicas do MAS. Por um lado, os senadores deste partido denunciaram perante as organizações de direitos humanos e a comunidade internacional “as irregularidades em que incorre o TSE, que no início das eleições gerais decidiram retirar o Direpre” e exige que as razões da sua suspensão sejam transparentes. Da mesma forma, o porta-voz do MAS, Sebastián Michel, afirmou que isso gera mais suscetibilidade e aprofunda a incerteza quanto à possibilidade de que o TSE junto com o governo de Áñez estejam preparando uma fraude eleitoral a serviço de Carlos Mesa de Comunidad Ciudadana.

Neste sentido, na sua declaração, a Comunidad Ciudadana indicou que "lamentava as circunstâncias que levaram o TSE a anular a divulgação dos resultados preliminares do Direpre", mas que, no entanto, compreende as razões que motivaram essa decisão.

Por sua vez, outro integrante do golpe de novembro e do bloco criminoso, a Igreja Católica, por meio da Conferência Episcopal Boliviana, emitiu um comunicado conjunto com a União Europeia e as ONU Bolívia em que reafirmam seu apoio ao TSE ante a decisão de eliminar o Direpre e apelam aos cidadãos que aguardem com “calma e serenidade os resultados da contagem oficial”.

Desta forma, hoje não haverá resultados oficiais. O presidente do órgão eleitoral, Romero, disse que "certamente os resultados serão um pouco mais lentos" afirmando que o fazem com o objetivo de entregar resultados com a maior segurança e confiabilidade para a população em um contexto de muita polarização que exige prudência no gestão de dados.

Lembremos que a suspensão de 14 horas nas eleições do ano passado deu início ao movimento político que levou ao golpe. Hoje é surpreendente que Carlos Mesa e quase todos os golpistas aceitem não só a suspensão, mas também a falta de um sistema de divulgação rápida de dados.

Desde as páginas de La Izquierda Diario Bolivia chamamos a estar atentos ao que pode levar a fraudes eleitorais que mais uma vez procuram ignorar a vontade da grande maioria dos trabalhadores do campo e da cidade.

Infelizmente, a sistemática política de conciliação do MAS com o bloco golpista é o que incentiva o direitista e golpista TSE a continuar avançando em medidas que cada vez mais atrapalham o processo eleitoral. Lembremos que há menos de 3 ou 4 dias o porta-voz do MAS se manifestou afirmando que qualquer que fosse o resultado eles reconheceriam, convocando junto com todas as burocracias sindicais para comparecer ao ato eleitoral sem se deixar levar por provocações. Hoje vemos como, a partir dessas afirmações, o TSE lança uma medida que para a grande maioria da população faz parte da construção fradulenta do que pode levar a um resultado eleitoral antipopular.




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