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Umbigo sem fundo e os dramas disfuncionais em famílias funcionais

Quando falamos de histórias em quadrinhos para o público brasileiro, em geral, vemos apenas as Comics Americanas das editoras Marvel e DC para o público juvenil e as obras do Maurício de Souza e da Disney para o público infantil. De traços redondos e coloridos, para os traças delineados dos super-heróis a impressão que o público brasileiro tem sobre as histórias em quadrinho são coisas para crianças e adolescente, no máximo pessoas que nunca superaram essa fase. De pequenas piadas, para heróis salvando o universo. A Comic do “Umbigo sem fundo”, de Dash Shaw, vem a romper com essa visão contando a história da família ficional Loony.

terça-feira 13 de junho| Edição do dia

Demorou muito para as editoras brasileiras se abrirem para outros gêneros e outras narrativas de Histórias em Quadrinhos, que chamamos de Novelas Gráficas(Graphic Novel), são em geral narrativas mais longas, com um começo e fim, não seriada. O maior selo nacional que é o Maurício de Souza teve nesta última década modernizado a linha editorial expandindo para a Turma da Mônica Jovem, em formato de Mangá, e as Novelas Gráficas para o público mais adulto. A mística que história em quadrinhos eram coisas de crianças ao poucos vem perdendo espaço e cada vez mais pessoas têm consumido esse tipo literário. Cada dia mais HQ está virando para gente grande.

Uma graphic novel

Nos EUA, toda uma tradição de novelas gráficas , sendo quem cunhou este termo, e principal influência, surge por Will Eisner e um de seus precursores moderno Lynd Ward. Eisner mostrou ao mundo que a sensibilidade das crônicas das coisas corriqueiras da vida e de uma longa história madura poderiam ser passadas no formato de Histórias em Quadrinhos. Com Eisner se aprendeu que o quadro não é um monolíto, mas um recurso literario do escritor grafíco, que pode ser esticado, contraído, sem proporção, sem metríca, sem regra, e, sobretudo, o quadro exprime informação e sentimento.

Sobre essa história e influência gráfica onde Dash Saw irá quebrar as proporções dos quadros, páginas para um desenho inteiro sem quadro, um desenho muito pequeno para uma página, um ou dois quadros para uma página, serão técnicas que o autor utiliza para potencializar alguns momentos da narrativa.

As cenas de nudez não entram como erotização da narrativa, mas de expressão de sexualidade e são fluídas dentro da narrativa e expressão a personalidade dos personagens.

Visceral drama familiar

Um dos temas mais recorrentes na literatura é os dramas dentro da família, muito porque são esses dramas que muitas pessoas se espelham, das relações sociais são as que determinam, as de seu imediato e seu desejo. A família bem ou mal é a primeira forma de socialização que um criança tem e seu primeiro espelho de relações, dramas familiares, sempre envolvem-nos, pois identificamo-nos neles.

Assim, a narrativa “Do umbigo sem fundo” não abordará a família de maneira histórica, social e material, como no naturalismo e realismos, mas dentro de uma teia psicológica e estrutural.

A narrativa estrutura-se na relação do Pai frente a família. Da predileção do pai pelo filho mais velho, da superproteção paterna frente a filha, da autoridade do pai frente a mãe, da mãe despossuída de personalidade dentro do casamento devido a castração de sua vida frente a família, do filho mais novo com problemas identidade resultante do lar disfuncional. Destas relações irá desenvolver a primeira ordem dos conflitos.

O filho mais velho terá sua sexualidade e masculinidade desenvolvidas pelo pai, sua relação com a irmã é de posse e impossibilita a expressão de sua sexualidade. Desenvolvimento em um adulto possessivo e autocentrado. Em relação com sua esposa a castra, não lhe garante atenção e indisciplinado com serviços domésticos.

A irmã cresce sofrendo da repressão sexual do pai e do irmão, e falta de figura feminina forte como referência, cria problemas de auto-estima somados a dois casamentos frustrados, que ainda amarga dificuldades de relacionamentos afetivos. Sua filha passa por problemas com a aparência, baixa auto-estima e dificuldades com relacionamentos amorosos.

O irmão mais novo que passou fortemente por ausência parental, com baixa auto-estima, problemas com identidade, frustração profissional, afetivamente, sexualmente e socialmente o torna o típico loser americano.

Sobre essa teia psicológica e essa primeira e segunda ordem de conflitos acontecerá a narrativa. Um obra muito boa e recomenda para todos aqueles que querem ver um outro lado das histórias em quadrinhos e dedicar-se e refletir os papeis de gênero dentro da família.




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