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Trump leva adiante sua xenofobia e assina a ordem para a construção do muro na fronteira com o México

Trump assinou uma ordem executiva para a destinação de fundos federais para a construção do afamado muro simbolo da xenofobia que quer colocar de pé na fronteira com o México.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

quarta-feira 25 de janeiro de 2017| Edição do dia

O recém eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está decidido a levar adiante sua política xenofóbica, e assinou uma ordem executiva para a destinação de fundos federais para a construção do afamado muro que quer colocar de pé na fronteira com o México. Enquanto Trump publicava em sua conta no Twitter que faria esse despacho, enquanto LuisVidegeray ministro mexicano das Relações Exteriores viajava aos EUA. No dia 31 de janeiro o presidente mexicano PeñaNieto, que recentemente foi alvo de mobilizações populares por conta do “gazolinaço”, deve viajar aos Estados Unidos.

Trump declarou que apesar de que inicialmente os fundos para a construção do muro seriam norte-americanos, faria os mexicanos pagarem seu custo “de alguma forma”, afirmou Trump sem dizer claramente como pretende fazer isso. Também declarou que seu muro da xenofobia deve ficar pronto “em meses”. A declaração de que o muro será pago pelos mexicanos, “seja como for”, foi reiterada hoje pelo porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, sem resolver o enigma de como pretendem impor o que caso passe a existir será efetivamente um ataque brutal ao povo mexicano.

Em uma semana de governo, Trump quer passar a imagem de que está decidido a levar adianteparte de suas propostas de campanha, ainda que os efeitos disso ainda sejam incertos, como o fim do Acordo TransPacífico anunciado anteontem. Em relação ao muro o documento assinado por Trump em uma cerimônia na sede do Departamento de Segurança Interna, em Washington, é mais um teatro, já que visa redirecionar para o reforço das fronteiras fundos já aprovados anteriormente. Apesar da verba permitir que Trump inicie seu nefasto projeto, ele precisará que o Congresso aprove mais recursos, até alcançar um total avaliado entre 14 e 20 bilhões de dólares. Algo que não está garantido de antemão, pois a divisão entre os representantes do establishment político norte-americano é grande, mesmo no interior do Partido Republicano, com declaração de vários políticos de seu próprio partido negando-se a apoiá-lo.

Parte do muro já existe em um terço da fronteira de mais de três mil quilômetros entre os EUA e o México, e foi uma política levada adiante por todos os últimos governos norte-americanos, democratas e republicanos. Além dos decretos em relação ao muro, Trump anunciou outras medidas de ataque aos imigrantes, como a punição às grandes cidades que não entregarem imigrantes ilegais, através de retiradas de recursos federais para cidades como Los Angeles, Nova York e Chicago. Mas muito provavelmente Trump anunciará novos ataques também contra os imigrantes sírios, líbios, iraquianos, que vem sendo ao lado dos mexicanos, seus alvos preferenciais em sua política de destilar ódio contra os imigrantes.

Essa tentativa de Trump de se mostrar “ativo”, também está relacionada com a forte pressão deixada pelas multitudinárias manifestações que ocorreram no dia 21 de janeiro, apenas um dia após sua posse, contra sua ascensão à presidência norte-americana. É fundamental que que essas mobilizações contra a cara mais reacionária e xenófoba do imperialismo sigam e se expandam, de maneira independente.




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