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Protestos por dias seguidos no Haiti contra o governo de Moise

quarta-feira 13 de fevereiro| Edição do dia

Os protestos se mantêm no Haiti por dias seguidos exigindo a renúncia do presidente Jovenel Moise, no meio de uma crise política, econômica e social de enorme magnitude, onde mais da metade dos 10 milhões de habitantes sobrevive com menos de 2 dólares diários.

Porto Príncipe, capital do país, esteve nessa segunda (11) quase paralisada pelas manifestações. Enquanto as escolas e o comércio permaneciam fechados e o sistema de transporte inteiramente parado, nas principais ruas da capital, muitos manifestantes levantavam barricadas e queimavam pneus, bloqueando as principais estradas do país. Outras importantes cidades do país vivem um parecido panorama com protestos massivos.

Um dos manifestantes declarava nesta segunda: “Hoje estamos nas ruas porque ninguém nos escuta. Não temos emprego, dinheiro e esperança. Estou na busca de algo e é por isso que levarei (às ruas) qualquer coisa que eu possa encontrar”, disse Paul Baptiste. Enquanto os manifestantes reclamam por justiça, as forças de segurança fazem o trabalho sujo, com a repressão policial causando até o momento o total de 7 mortes desde a semana passada.

A situação do Haiti se agravou este ano devido a uma forte depreciação da moeda oficial (o gourde) e pela crise elétrica derivada da escassez de combustíveis. Na terça da semana passada (5), quando o governo declarou estado de calamidade financeira, implicando na redução dos gastos dos bens de primeira necessidade e no incentivo de acesso ao crédito por pequenas empresas, começou a se acirrar o mal-estar social.

Por outro lado, os manifestantes também exigem justiça nas supostas irregularidades no programa Petrocaribe, através do qual a Venezuela fornece petróleo para o Haiti a preços mais baixos. Uma auditoria apresentada na semana passada pelo Tribunal de Contas revelou irregularidades entre 2008 e 2016 nesse programa, casos de corrupção envolvendo 15 ex-ministros e atuais funcionários, assim como uma empresa que era dirigida pelo próprio presidente Moise antes deste chegar à presidência.

Aliás, apesar da agravação da situação social, o país tampouco conseguiu aprovar seu orçamento público para este ano, em torno de 1.650 milhões de dólares, que foi rechaçado no mês passado pela Câmara dos Deputados, por não ter satisfeito os interesses dos representantes da dita Casa. Nesse contexto, um setor da oposição exige a renúncia do presidente Moise, que na quinta passada (7), justo no dia que se iniciaram as manifestações, cumpriu apenas dois anos no cargo.

Um dos promotores destas manifestações é o dirigente opositor André Michel, que através do Twitter voltou a exigir a renúncia de Moise, afirmando que este “já não tem legitimidade para seguir permanecendo no poder”. “Ninguém está por cima da vontade popular. A Constituição não está por cima da vontade do povo. O povo é soberano. Jovenel Moise deve renunciar e irá fazê-lo”, declarou.

O exército da República Dominicana anunciou que reforçará a segurança em sua fronteira com o Haiti e algumas linhas de avião cancelaram seus vôos comerciais até Porto Príncipe. Por sua parte, a comunidade internacional imperialista, grande responsável pela situação de miséria que se encontra na ilha há décadas, continua intervindo na política local. O Core Group, grupo integrado pelo secretário geral da ONU, pela União Europeia, OEA e por embaixadores alemães, brasileiros, canadenses, espanhóis, norte-americanos e franceses já fizeram um chamado ao “diálogo”.

Traduzido de La Izquierda Diario.




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