LEGADO DA COPA

O legado da Copa de 2014: um canteiro de obras inacabadas e dinheiro jogado fora

Allan Costa

Militante do Grupo de Negros Quilombo Vermelho - Luta negra anticapitalista

quinta-feira 14 de junho| Edição do dia

"VLT inacabado em Brasília. (Foto: Reuters / Paulo Whitaker)"

O dia da abertura da Copa da Rússia finalmente chegou e não é pequeno o esforço das grandes empresas como a Globo em tentar criar o tal “clima de Copa” que é tão explorado para o lucro e que anda tão ausente nesta edição, fruto da piora nas condições de vida do brasileiro e na insatisfação generalizada com a casta política que conseguiu eclipsar inclusive grande parte do enorme interesse dos brasileiros no futebol. Mas, em poucas horas a bola vai rolar no país da Revolução de 1917 e é escandaloso perceber que, 4 anos depois, ainda temos uma enorme quantidade de obras da Copa de 2014 inacabadas no Brasil.

Contrariando o que dizia em 2010 o ex-presidente Lula sobre o dinheiro privado para a construção das arenas e obras públicas, a maior parte destas obras foi feita com dinheiro público subsidiando grandes empreiteiras como a Odebretch. O resultado todos nós conhecemos bem...

As melhorias na mobilidade urbana e infraestrutura foram largamente utilizadas para fazer com que as pessoas apoiassem a realização da copa no Brasil num momento em que a insatisfação popular com a política já começava a dar seus sinais, vale lembrar os gritos de “não vai ter copa” que tomaram as ruas em junho de 2013.

Dez das doze cidades sede ainda tem obras inacabadas, paralisadas ou abandonadas. São mais de 40 por todo Brasil, a maioria seriam em melhorias nas cidades que poderiam ajudar diretamente a população no chamado “legado da copa”, mas, tudo o que sobrou dessa copa para a população foi constatar o rio de dinheiro que deu à empresários diretamente ou através da corrupção nas obras acabadas e inacabadas que fazem o resultado de 7 a 1 na semifinal ficar ainda mais difícil de engolir.

E não foram poucos os exemplos da péssima execução dessas obras, projetos mal feitos e materiais de má qualidade foram regra em quase todas as partes. Das obras que saíram do papel e foram iniciadas vale lembrar as péssimas condições de trabalho que eram denunciadas pelos trabalhadores, com jornadas exaustivas e falta de segurança mínima, que resultou em várias mortes de trabalhadores na construção de estádios como nas 3 mortes na Arena Corinthians, por exemplo. Em Minas Gerais, durante a copa, uma das obras de corredor de ônibus que custou no total quase R$ 700 milhões e que ligaria o aeroporto de Confins ao estádio do Mineirão caiu e matou duas pessoas.

Uma grande parte dos estádios (alguns dos mais caros, como a Arena Pantanal no Mato Grosso e a Arena das Dunas, em Natal) estão subutilizados; Aeroportos que ainda não foram ampliados, e a construção e ampliação de vias, trens e principalmente corredores de ônibus, são a maior parte dessas obras.

O VLT em Brasília, por exemplo gastou 20 milhões e foi completamente abandonado, já em Natal, as obras de drenagem da Arena das Dunas ainda causam inundações nos túneis do entorno do estádio. Em Salvador as obras do BRT foram novamente prometidas para o segundo semestre desse ano, e o Aeroporto internacional Luís Eduardo Magalhães, recebeu melhorias com investimento público e foi recentemente privatizado e entregue à uma empresa francesa. Em São Paulo, terra do escândalo tucano dos cartéis do Metrô, várias estações de que deveriam ser entregues em 2014, principalmente na Linha 4 (também privatizada), têm constantemente as datas de inauguração adiadas.

Foram bilhões já gastos em planos que custariam outros bilhões para serem entregues, que enriqueceram construtoras e empreiteiras e que não foram entregues para o benefício da população conforme se prometia. Fica evidente que enquanto essas obras estiverem sob os cuidados de políticos corruptos em suas jogadas com esses empresários a população irá amargar derrotas bem mais doloridas do que qualquer




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