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TURQUIA PÓS GOLPE

O governo turco suspendeu 20 mil professores e pede a renúncia a 1500 decanos universitários

O governo exigiu esse nessa terça-feira a renúncia a 1.577 decanos, 15.500 professores públicos foram suspensos e se retirou a licença a dezenas de milhares do setor provado. Segue a purga “pós golpe”.

Josefina L. Martínez

Madrid | @josefinamar14

quarta-feira 20 de julho de 2016| Edição do dia

O Conselho Superior de Educação da Turquia tem exigido a 1.577 decanos universitários que renunciem imediatamente, segundo informação na manhã dessa terça-feira em vários meios de comunicação turcos.

A “purga” das autoridades acadêmicas se soma aos 15.200 funcionários suspensos pelo Ministério da Educação, que em sua maioria são professores de primário e de secundário. A agência Reuters informa que também tem sido revogada a licença para exercer a profissão para 21.000 professores do setor privado.

O Ministério da Educação da Turquia acusa os empregados públicos da área educativa de estar relacionados com as redes de simpatizantes do líder religioso Fethullah Gulen, a quem atribuem a responsabilidade do falido golpe militar de sexta-feira. Gulen está exilado na Pensilvânia, Estados Unidos, e nega vinculação com o golpe.

“A partir de hoje, 15.200 empregados públicos, tanto nos centros como nas províncias, tem sido suspensos do serviço e se inicia uma investigação sobre essas pessoas”, afirma o comunicado citado pela agência semi pública Anadolu.
“Nosso Ministério tem levado a cabo um trabalho sobre os empregados públicos que estão vinculados a FETO” (a sigla com a qual o governo se refere às redes gulenistas), explica a nota da imprensa.

A sigla faz referência às redes de simpatizantes de Fethullah Gulen, que deixou de ser um aliado importante do governo do AKP para ser considerado um inimigo público número um. O número de funcionários suspensos na educação se soma aos 8.777 que foram separados pelo Ministério do Interior na segunda-feira e mais 2.500 em outros ministérios. A “limpeza” também continua nas forças armadas, onde mais de 6 mil militares foram detidos e na polícia, com 8 mil efetivos demitidos.

Em janeiro passado o governo turco empreendeu uma “caça às bruxas” contra professores e acadêmicos universitários, depois que mais de 2 mil professores assinaram uma declaração repudiando a repressão ao povo kurdo. O governo acusou de “terrorismo” aos assinantes da petição e deteve vários deles.

Segundo vários informes, nos dias pós golpe o número de “purgados” entre funcionários públicos, professores, efetivo das forças repressivas e outros ministérios se eleva a mais de 45 mil.

O governo turco tem aproveitado o golpe falido para levar adiante uma profunda purga no Estado e em áreas como a educação, buscando erradicar grandes setores da oposição.

O comissário da União Europeia Johannes Hahn, encarregado de seguir o processo de admissão da Turquia na UE, assinalou que tudo sugere que as “listas negras” para efetuar as purgas já estavam feitas desde antes do golpe de Estado.

“Parece ao menos como se algo já estivesse preparado. As listas estavam disponíveis, o que indica que se prepararam antes para serem utilizadas em certo momento”, assegurou Hahn. Contudo, essas declarações não passam de palavras. Apesar do profundo giro repressivo e autoritário – mais ainda do que já vinha sendo – do governo de Erdogan, a UE defende o que considera um aliado chave da OTAN na região.

As autoridades turcas advertiram essa terça-feira que as “mudanças” radicais na administração, um eufemismo para a “caça as bruxas”, continuarão nos próximos dias. O ministro de relações exteriores, Mevlut Cavusoglu, teria programado uma visita a Washington, mas a suspendeu para participar essa quarta-feira de uma cúpula nacional. O governo turco pretende se utilizar de novos instrumentos para combater a “organização terrorista gulenista”, assegurou o primeiro ministro Binali Yildirim em declarações ao Telegraph. Isso incluirá, segundo anteciparam alguns analistas, um incremento das penas judiciais para os acusados, habilitação de períodos de detenção mais longos, sem provas, e outras medidas de endurecimento do aparato repressivo.

Como assegurava sábado passado um correspondente kurdo do Izquierda Diario, o golpe falido reforçará as medidas reacionárias do governo de Erdogan, que se descarregam contra aqueles a quem responsabiliza pelo golpe, contra a oposição política e acadêmica e que se aprofundará contra os trabalhadores e o povo kurdo.

Ver também: [VÍDEO] Turquia depois do golpe militar falido: entrevista com Baran Serhad

Ver também: O governo de Erdogan aprofunda a purga na Turquia e avalia legalizar a pena de morte




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