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MACHISMO

Mulheres indianas têm úteros retirados para não menstruar e viabilizar exploração violenta no trabalho

A barbárie e irracionalidade capitalista não tem limites. Na Índia, mulheres têm úteros retirados para não menstruarem e não engravidar e tornarem-se mais produtivas. Violência irrestrita contra as mulheres em nome do aumento da exploração.

quinta-feira 27 de junho| Edição do dia

A barbárie e irracionalidade capitalista não tem limites. A Índia, atravessada pela pobreza, pela espoliação imperialista e atravessando uma crise política e econômica imensas, verá suas mulheres trabalhadores serem violentadas em nome do aumento da exploração da mão de obra: cortadoras de cana terão seus úteros retirados para tornarem-se mais produtivas.

O procedimento violento e invasivo é comum na Índia, e já foi alertado por entidades não-governamentais os altos índices deste procedimento na Índia. Tais entidades colocam em cheque também a aliança entre os capitalistas do ramo da saúde e os latifundiários exploradores de cana-de-açúcar como parte fundamental deste horror.

Dados indicam que a cada ano, cerca de 1,4 milhão de indianos trabalham na temporada de corte da cana, que dura de setembro a março, no estado de Maharashtra. Com poucas diferenças em relação às condições dos “boia-frias” no Brasil, na Índia os trabalhadores rurais também estão expostos a jornadas extenuantes de trabalho e condições miseráveis de vida. No Brasil, cerca de 80 trabalhadores rurais de fazendas do interior de São Paulo não tinham carteira assinada e alguns chegavam a cortar 22 toneladas de cana por dia.

Na Índia, um estudo mostrou que em 2018, 36% das mulheres entrevistadas em distritos com alto percentual de trabalhos miseráveis como os rurais haviam retirado o útero. Em 2019, a taxa já era de 21% em apenas cinco meses. A maioria das cirurgias são realizadas em hospitais particulares na ausência de ginecologistas, o que coloca a vida das mulheres indianas ainda mais em risco. Além disso, muitas retornam ao local de trabalho, em jornadas extensas, sem período e cuidados para recuperação adequada.

As mulheres indianas são levadas à tal decisão uma vez que são consideradas improdutivas por engravidarem ou menstruarem. Diante da brutal crise capitalista que afeta o mundo inteiro, em especial países da periferia capitalista, como Índia, o recurso utilizado pelas trabalhadores é retirar seus úteros para manter seus empregos.
Além do aumento da exploração profunda por parte dos grandes empresários do setor canavieiro, os capitalistas da saúde também garantem sua parcela: o endividamento brutal das mulheres com empresas de saúde para que possam realizar tais cirurgias é outra face cruel deste absurdo. O argumento muitas vezes utilizado pelos médicos é para que elas evitem câncer de útero ou edemas, e são levadas à acreditar que após terem um ou dois filhos, o útero torna-se um fardo em suas vidas.

Bolsonaro no Brasil, Narendra Modi na Índia: crise capitalista e a conta da crise nas costas dos trabalhadores

O atual primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, denúncia que o avanço das ideias da extrema-direita conservadora e reacionária pelo mundo, com grande respaldo em Donald Trump e no imperialismo norte-americano, está à serviço de avançar nos métodos de exploração e precarizar ainda mais as condições de vida e de trabalho para fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. Assim, os setores oprimidos, como mulheres, são brutalmente afetados pelos ataques destes governos.

Modi, que foge de coletivas de imprensa, defensor do porte e uso de armas e que persegue muçulmanos irrestritamente no território indiano, é parte dessa extrema-direita machista que através de ataques políticos, econômicos e ideológicos buscam aumentar os lucros dos capitalistas atacando os trabalhadores.

Esta é a faceta cruel e absurda desta direita, que por um lado fomenta cirurgia de retirada de úteros para tornas as trabalhadoras ainda melhores para serem exploradas ou que afirmam publicamente, como já fez Bolsonaro, que defendeu que mulheres devem ganhar menos por que engravidam; por outro, são assíduos partidários do ódio contra mulheres que abortam e contrários a legalização do aborto sob um discurso mentiroso de “pró-vida”. São os mesmo que atacam também as políticas de educação sexual e de debate de gênero nas escolas, com projetos como “Escola Sem partido” e que tem em sua base aliada figuras como Damares, que defende exaustivamente que as mulheres devem se reservar ao trabalho doméstico e cuidado dos filhos.

Não podemos descolar os ataques ideológicos dessa extrema direita de sua prática política cotidiana, que busca incessantemente garantir os lucros da burguesia atacando cada vez mais os trabalhadores, as mulheres, negros, LGBTs. É urgente que levantemos a força dos trabalhadores organizados em base à um programa que busque responder às necessidades dos trabalhadores e dos setores oprimidos, levando à frente demandas que façam com que sejam os capitalistas que paguem pela crise. As mulheres, como se mostraram em inúmeros levantes contra Bolsonaro no Ele Não, contra Trump e pelo direito ao aborto na Argentina, devem ser linha de frente dessa luta, ao lado dos trabalhadores e de todos os setores oprimidos, contra estes projetos neoliberais nefastos e bárbaros.




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