Internacional

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL DO GOLPE

Macri “respeita” o golpe institucional e Chile expressa sua preocupação

A chanceler Argentina Susana Malcorra tornou público seu apoio ao golpe institucional no Brasil enquanto o governo chileno expressou sua preocupação.

sexta-feira 13 de maio de 2016| Edição do dia

A maioria dos governos latino-americanos apoiam as consequências da decisão do Senado, que consolidou o golpe contra a presidente Dilma Rousseff mediante um julgamento político que afastou provisoriamente Dilma da presidência.

O governo argentino de Maurício Macri, que vem aplicando um duro ajuste, se pronunciou rapidamente sobre a votação do Senado brasileiro. O presidente argentino afirmou que “respeita o processo institucional” que está ocorrendo no Brasil após a aprovação do julgamento político contra Dilma Rousseff, afirmou também que o “desfecho” da situação “consolida a solidez” da democracia no Brasil.

Em um comunicado, a chanceler argentina Susana Malcorra, assinalou que o Executivo manifestou seu respeito ao “processo institucional que está se desenvolvendo” confiando que “o desfecho da situação consolida a solidez da democracia brasileira”.

O governo do Chile também reagiu diante da votação expressando a “preocupação” gerada na região pelo cenário incerto que se abre depois da confirmação do golpe contra Dilma Rousseff.

“O governo do Chile expressa sua preocupação em relação aos acontecimentos dos últimos tempos nessa nação irmã, que tem gerado incertezas a nível internacional considerando a influência do Brasil no âmbito regional”. Complementou “Sabemos que a democracia brasileira é sólida e que os próprios brasileiros sabem resolver seus desafios internos”.

A União das Nações Sul-Americanas (Unasur) anunciou uma conferência de imprensa de seu secretário geral, Ernesto Samper, na manhã de quinta-feira para comentar a situação brasileira.

Nicolas Del Caño repudia o reconhecimento de Maurício Macri ao novo Governo Golpista no Brasil

Frente à votação do Senado para abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o candidato à presidência da Argentina pela Frente de Esquerda nas últimas eleições, Nicolas Del Caño, declarou que “repudiamos o reconhecimento e apoio do Governo argentino ao golpe institucional que está se consumando no Brasil. Querem fazê-lo passar como um processo constitucional normal, porém o julgamento político não se baseia em nenhuma prova de corrupção, mas em atos administrativos do Governo, sem demonstrar nenhum delito, como pressupõe a própria constituição brasileira que dizem defender. Os próprios deputados e senadores que votaram o impeachment estão sendo processados por corrupção em incontáveis causas. Michel Temer encabeça um golpe promovido pelo parlamento envolvido com empresários e pelos grandes empresários nacionais e estrangeiros para aplicar um ajuste mais brutal do que o que vinha sendo aplicado pelo PT. O próprio partido do vice-presidente golpista, o PMDB, é o mais corrupto de todo o regime. Isto mostra o cinismo dos que se dizem ‘republicanos’ e ‘inimigos’ da corrupção na Argentina, que apoiam seus cúmplices golpistas e corruptos do outro lado da fronteira em função de seus interesses empresariais em comum”.

Acrescentou que “se fazem isso contra uma presidente votada por 54 milhões de brasileiros, imaginem o que podem fazer contra um cidadão comum. O ataque às liberdades democráticas elementares que está por trás dos métodos golpistas dos poderes judicial e parlamentar brasileiro está a serviço de impor ataques mais duros a classe trabalhadora e ao povo do que os que Dilma vinha aplicando até agora. Por isso, a partir da esquerda mobilizamos milhares em frente à Embaixada do Brasil em Buenos Aires e em todas as principais cidades do país no dia 30 de abril: para rechaçar o golpe como parte de uma ofensiva da direita ajustadora em toda a América Latina”.




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