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CRECHE OESTE FICA

Justiça determina reabertura de creche da USP

No dia 11 de dezembro saiu a sentença do mandado de segurança impetrado pela APEF (Associação de Pais e Funcionários da Creche Oeste) contra o fechamento de uma das creches da USP, localizada na Cidade Universitária, no Butantã.

domingo 17 de dezembro de 2017| Edição do dia

Na sentença deferida a justiça suspende a decisão da reitoria da USP de fechar a Creche Oeste, transferindo seus funcionários e alunos para a creche central, também no campus do Butantã. A sentença ainda determina o prazo de 40 dias úteis para a reabertura.

A Creche Oeste faz parte da divisão de creches da USP e foi uma conquista há 3 décadas, quando estudantes e trabalhadoras da USP exigiram da reitoria o direito às creches nos locais de trabalho e estudo. São referencias internacionais na educação infantil. Desde o início da gestão Zago-Vahan, as creches, junto com os hospitais, bandejões e a prefeitura do campus, tem sido alvos da reitoria que quer acabar com essas unidades da USP. No caso das creches, desde o fim de 2014 até final de 2016 não houve novas matrículas de alunos a mando da reitoria. A reabertura das vagas das creches foram uma importante conquista do movimento de pais e funcionários.

No início de 2017, no meio das férias escolares, a reitoria da USP determinou o fechamento da creche Oeste sem qualquer aviso prévio os pais e funcionários da creche. Porém, a reação foi rápida em se constituiu um grande movimento de defesa da creche oeste que deu origem a Ocupação Creche Aberta. Estudantes, funcionários e professores saíram em defesa das creches com o apoio de intelectuais e parlamentares. A reitoria tentou destruir o movimento, com ameaças de reintegração de posse, enquanto negociava com a prefeitura de São Paulo a desvinculação da creche.

Mas o movimento resistiu e forçou a reitoria a negociar. Agora, com mais uma sentença favorável a reabertura, o movimento impôs mais uma derrota à reitoria. Nani Figueiredo, educadora da creche e linha de frente da luta, falou ao Esquerda Diário:

“Essa sentença positiva para nós é muito importante porque marca de maneira muito acentuada como é importante a mobilização das pessoas, como foi importante a mobilização da comunidade em torno da defesa das creches e, sobretudo, da creche oeste. Desde o primeiro momento, a comunidade se mobilizou em resposta à SAS [Superintendência de Apoio Social da USP], que pagou um caminhão para a retirada de todo o mobiliário, de todos os equipamentos da creche oeste, a comunidade disse: NÃO! E se mobilizou de maneira firme, protegendo a creche, protegendo o patrimônio da creche, que inclui além do patrimônio material, o patrimônio que está lá e diz respeito a décadas de pesquisa de estudo sobre a educação infantil no país, às reflexões mais recentes. Muito mais da metade da pedagogia praticada hoje no Brasil está ali, naquele lugar, nas reflexões realizadas na creche oeste, nas documentações que estão ali. Então, essa sentença positiva é uma enorme vitória, um ganho de valor imensurável. Acho que a USP não esperava que a mobilização, que a comunidade fosse agir de forma tão forte, tão expressiva na defesa da creche. Nem nós esperávamos, porque os ataques estão muito duros e vínhamos de muitas baixas, com crianças que não conseguiam vagas, funcionárias transferidas de maneira autoritária e de repente o fechamento da creche oeste, com os funcionários sendo comunicados durante suas férias que não faziam mais parte do quadro da creche oeste e que agora pertenciam a outro setor, à outra creche. Eram muitas derrotas que nos deixava com uma visão menos otimista. Mas agora com essa decisão, estamos muito mais otimistas, ainda que saibamos que a USP vai recorrer, porque é o que ela faz. Mas temos certeza que fomos uma pedra no sapato da reitoria, fomos um nós que eles não esperavam. Isso nos leva a concluir que a mobilização, a união em torno de um objetivo sempre funciona!”

Abaixo a decisão judicial na íntegra:








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