Internacional

PRIMAVERA ÁRABE

Inverno árabe: ex-ditador do Egito, Mubarak é solto e inocentado pela Justiça

O ex-ditador do Egito, Mubarak é solto e inocentado pela Justiça. A situação atual egípcia é uma demonstração de que a ausência da classe trabalhadora como classe fundamental e de uma direção marxista revolucionária, levaram a que o desfecho desse processo tenha sido regressivo.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

sexta-feira 24 de março de 2017| Edição do dia

O ano de 2011 entrou para a história como um símbolo da primavera árabe. As massivas manifestações que encheram a emblemática Praça Tahrir foram responsáveis por trazer de volta ao imaginário a palavra “revolução”, e inspirou o movimento de ocupação das praças mundo afora, como na Espanha. Desde então, uma reviravolta operou-se. A intervenção imperialista na Líbia via OTAN, a transformação do levantamento popular na Síria numa guerra civil errática com o consequente drama humanitário vivido pelos refugiados até hoje, e o golpe cívico-militar no Egito, que levou o general Abdel Al-Sissi ao poder em 2013, foram episódios que marcaram o fim da primavera árabe.

Hoje um novo acontecimento marca esse processo. O ex-ditador Muhammed Hosni Mubarak, contra quem as manifestações de 2011 se organizaram, acaba de ser solto e inocentado pela Justiça do país. Ele havia sido condenado em 2012 à prisão perpétua pela morte de 239 pessoas durante os atos contra seu governo. As acusações também envolviam conspiração para se manter no poder, e de ter providenciado junto ao seu então ministro do Interior, munições para reprimir os manifestantes violentamente. Mas numa demonstração de que o regime comandado por Fatah al Sissi hoje é extremamente reacionário, a Corte inocentou Mubarak, que retornou à sua mansão no Cairo.

Essa não é a única demonstração de que a primavera árabe deu lugar a um inverno no Egito. Toda a dissidência política ao governo do general Al Sissi é proibida, e o número de prisões aumenta sem parar. Além de prender jornalistas, o governo ainda proibiu qualquer tipo de protesto contrário aos rumos que o país está tomando. No começo de 2016 o exército, que segue sendo financiado pelos Estados Unidos, ocupou a icônica Praça Tahrir para evitar protestos. Nem os teatros e as salas de cinema estão imunes. O Teatro Rawabet foi fechado e artistas são perseguidos. A comunidade LGBT também é considerada como “criminosos contra a humanidade”, e lançada à cadeia às centenas. As imensas desigualdades sociais não cessaram e a pobreza aumentou no Egito.

A situação atual egípcia é uma demonstração de que a ausência da classe trabalhadora como classe fundamental e de uma direção marxista revolucionária, levaram a que o desfecho desse processo tenha sido regressivo. Não se trata de um mero detalhe, como pretenderam em seu momento organizações como o PSTU, mas a questão mais importante, como debatemos aqui. Tirar essas lições é igualmente de importância fundamental.




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