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ESTADO ESPANHOL

Grande jornada de protestos no Estado Espanhol contra o miserável aumento nas pensões

Dezenas de manifestações em todo o Estado espanhol em protesto pelo aumento de 0,25% das pensões e o saque dos fundos da Segurança Social.

domingo 25 de fevereiro| Edição do dia

Foto: @Cazatalentos

Nesta quinta-feira, milhares de pensionistas organizados através de diferentes associações de Aposentados, voltaram a sair às ruas de mais de trinta cidades da Espanha para reclamar pensões dignas e contra o aumento de 0,25%.

Algumas manifestações foram multitudinárias em cidades como Madri, Bilbau e Barcelona, demonstrando mais uma vez a fúria de milhões diante do permanente saque aos fundos da Segurança Social e da manipulação do cofre das pensões públicas.

Em Madri, milhares de manifestantes conseguiram algo insólito, romper o cordão policial próximo ao Congresso dos Deputados, podendo acessar e rodear o próprio edifício da Câmara Baixa.

Minutos antes tinham iniciado uma concentração sob o grito de “Que vergonha!”, “Ladrões, ladrões”.

No ponto central das denúncias estava mais uma vez Fátima Báñez, ministra de Emprego e Segurança Social pela publicação da subida das prestações de 0,25% prevista pelo Governo para 2018. Além disso, a ministra foi duramente denunciada também pela carta que publicou a todos os pensionistas explicando a revalorização do 0,25%.

Neste sentido, os milhares de pensionistas afetados também reclamam que se rescinda o atual índice de revalorização ao ritmo da subida da inflação.
Duramente critica foi também Celia Villalobos, presidente da comissão do pacto de Toledo e deputada do PP, sendo recriminada pelas declarações que afirmava que “há pensionistas que passam mais tempo cobrando pensão do que trabalhando”.

Em Barcelona, milhares de pensionistas concentrados encheram também a praça central Catalunha. Ali colocaram o manifesto sobre a miserável subida de 0,25%, ou o que é o mesmo para muitos, uma subida de 1 euro em suas pensões. Ou seja, depois de trabalhar toda a vida, agora vêm como o Governo e os mercados seguem roubando o fruto de seu trabalho.

Em Bilbau também foram milhares de pensionistas rodeando a Prefeitura com as mesmas denúncias e exigências, enchendo tanto que chegou às margens da desembocadura dos rios, na Ria de Bilbau. E assim foi em muitas outras cidades do Estado espanhol.

Sem dúvidas, a jornada de protestos desta quinta-feira põe no centro o saque dos fundos da Segurança Social destinados aos milhões de pessoas que depois de uma vida dura de trabalhos precários, recortes e perdas de direitos, esperam poder dispor de uma pensão digna. E enquanto as pensões sobem os míseros 0,25% ou são congeladas como nos últimos tempos, o Estado coloca a mão na arca de fundos públicos para correr com outros gastos.

Entretanto, isto não é novidade. A situação atual vem precedida por anos e anos de socavar os fundos da Segurança Social como demonstram os Informes da Intervenção Geral da Segurança Social, que quantificaram que desde 1990 a 2012, estes fundos financiaram com 72.371,5 milhões de euros complementos a mínimos. Obviamente nunca compensou à Segurança Social por esses gastos que deviam estar sob responsabilidade dos Pressupostos Gerais do Estado.

Em 2011, o Governo de Zapatero desviou 14 bilhões de euros de cotizações sociais para outros gastos de seu interesse. Este dinheiro nunca foi devolvido aos fundos de reserva. Desde 2012 o Governo Rajoy seguiu a mesma linha que o PSOE e continua com o saque dos fundos de reserva, passando de 63 bilhões de euros aos 8 bilhões atuais.

Diante de tudo isso, hoje é ainda mais importante que todas as organizações políticas, sociais e sindicais de esquerda possam dar todo o seu apoio às demandas dos pensionistas aposentados. Começando por Podemos, os comuns e os grandes sindicatos do CCOO e UGT. Organizações que pelo seu peso, deveriam estar na linha de frente de um movimento nas ruas que leve à convocatória de uma greve geral para acabar com a política de saque do Governo que na prática leva a uma maior perda de poder aquisitivo para a maioria dos trabalhadores e das classes populares.




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