Política

LAVA JATO

Gilmar Mendes pede investigação de desvios da Petrobrás na campanha de Dilma

sábado 22 de agosto de 2015| Edição do dia

Na última sexta-feira (21/08) o Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal a investigação criminal da campanha da atual presidente nas eleições de 2014. A campanha da petista, segundo indícios presentes no relatório do ministro, pode ter sido financiada por recursos desviados da Petrobrás, o que incorreria em ação penal pública, sob as acusações de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Gilmar Mendes ainda encaminhou informações à Corregedoria Eleitoral, para que a campanha do PT de 2014 seja investigada de acordo com o artigo da Lei dos Partidos Políticos que proíbe o financiamento por empresas de capital misto (público e privado), como a Petrobrás. Mesmo após serem julgadas e aprovadas com ressalvas em dezembro de 2014, as contas da campanha de Dilma continuaram a ser investigadas por Mendes, relator da prestação de contas. Para ele, com as investigações e descobertas do esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, doações à campanha podem ter sido fachada do pagamento de propina ao PT.

Segundo dados do TSE, várias das empresas envolvidas na Lava Jato constam como doadoras significativas ao Diretório Nacional do PT. Dentre elas, UTC, Queiroz Galvão, Norberto Odebrecht e Odebrecht Óleo e Gás. Por sua vez, o Diretório Nacional doou R$13,6 milhões à campanha de Dilma. Além disso, diretamente à campanha, foram doados R$47,5 milhões das empresas investigadas por corrupção na Petrobrás.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), parte do setor de direita que supostamente rompeu mais radicalmente com o governo Dilma, está sendo acusado de corrupção no mesmo esquema. A acusação consiste em um montante de 54,5 milhões que teria sido repassado ao PMDB, como noticiado aqui. Apesar de ameaçar comprometer a atuação do governo no esquema, Cunha está isolado, uma vez que o PMDB ainda é base aliada do governo federal (com Temer pedindo "unidade nacional") e, ligado a isso, com Renan Calheiros e a Agenda Brasil, agora aplicando diretamente os ajustes que atacam a classe trabalhadora.

Isso significa que, em um cenário no qual a correlação de forças em prol da governabilidade do PT momentaneamente se fortalece, em detrimento do discurso pró-impeachment, a solicitação de Gilmar Mendes denuncia, mais uma vez, que o governo e seus aliados estão metidos até o topo na lama da corrupção. Evidencia, assim, todas as contradições de um regime político incapaz de governar para a classe trabalhadora, mas cuja estabilidade (nomeada "governabilidade") depende de ameaças mútuas de denúncias entre partidos, com base em escândalos de corrupção que revelam a aliança dos governos com empresas e patrões.




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