Internacional

FMI prevê mais desigualdade e pobreza mundial devido à crise

Gita Gopinath, economista chefe do Fundo, declarou que o período de recuperação da crise será "longo, desigual e incerto". A queda da economia em nível global deste ano será a pior desde a Grande Depressão da década de 30.

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

A crise mundial "representa um duro golpe à melhora projetada dos níveis de vida médios de todos os grupos de países", advertiu o FMI em seu informe de Perspectivas da Economia Mundial.

O documento alerta que se agravará a desigualdade e a pobreza mundial. Estima-se que este ano, quase 90 milhões de pessoas poderiam cair na extrema pobreza, que se define como viver com menos de 1,90 dólares por dia.

Gita Gopinath, economista e chefe do FMI, ao apresentar o informe, afirmou que o período de recuperação da crise será "longo, desigual e incerto".


Variação da desigualdade de renda desde 1990.

Para 2020 se projeta que a queda da economia mundial será de 4,4%, melhoraram 0,8 pontos percentuais em relação à atualização de junho. Segundo o organismo, esta mudança se deve a resultados "um pouco menos alarmantes no segundo semestre, assim como certos sinais de uma recuperação mais forte no terceiro trimestre, que compensam em parte as revisões na queda em algumas economias emergentes em desenvolvimento". A queda econômica mundial é a pior desde a Grande Depressão da década de 11930, afirmou o Fundo.


Últimas projeções de crescimento de perspectivas da economia mundial (variação percentual).

Para 2021 se projeta um crescimento de até 5,2%, 0,2 pontos percentuais abaixo do estimado para junho. Entretanto, o organismo esclarece que exceto para China, onde se prevê que o produto supere este ano os níveis de 2019, no resto dos países o PIB se manterá abaixo dos níveis de 2019 tanto este ano como no próximo.

O documento sustenta que "é provável que esta crise gere danos permanentes a médio prazo, já que os mercados laborais necessitarão tempo para recuperar-se, a incerteza e os problemas nos balanços frearam os investimentos e o capital humano será afetado pela perda nos balanços de período de escolarização".

O organismo indica que depois da retoma de 2021, se prevê que o crescimento mundial se torne mais lento de forma gradual até 3,5% a médio prazo.

As mulheres entre as mais afetadas

O Fundo alertou que "as profundas feridas que a recessão deixou na economia mundial produzida pela pandemia se tornam mais evidentes nos indicadores de mercado de trabalho".

O organismo cita dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que registrou a redução mundial de horas trabalhadas no segundo trimestre de 2020 em comparação com o quarto trimestre de 2019 foi equivalente a perda de 400 milhões de empregos em tempo integral.

O documento aponta que a força de trabalho feminina, especialmente as mulheres que trabalham no setor informal, foram mais afetadas pela pandemia. A OIT calcula que 42% das mulheres com empregos formais trabalham em setores da economia que foram profundamente afetados, em comparação com aproximadamente 32% de homens com empregos informais.

Segundo o FMI os indicadores de emprego e da força de trabalho melhoraram desde maio, junto com a atividade mundial e o comércio internacional. Entretanto, Gita Gopinath afirmou que "o emprego segue muito por baixo dos níveis anteriores à pandemia e o mercado de trabalho se polarizou ainda mais, sendo os trabalhadores de baixa renda, os jovens e as mulheres os mais afetados".

Por sua vez, o fundo solicitou aos países manter as políticas de estímulos como as transferências monetárias temporárias a famílias de baixa renda e com pouca liquidez, seguro desemprego para "atenuar as fases de desaceleração econômica".

Os Estados capitalistas aplicaram políticas fiscais e monetárias para amortiguar a grande queda da economia. Os resgates se destinaram em sua maioria as empresas, e aos bancos, uma parte foi para os trabalhadores como contenção social. Os planos de resgate aumentaram a dívida dos Estados e os déficits orçamentários.

O pedido do FMI para continuar com as políticas de estímulo corresponde a incerteza sobre o rumo da economia em caso de que se cortem os referidos desembolsos. O Fundo indica que "na medida do possível, as políticas devem centrar-se com firmeza em evitar que a crise gere um dano econômico persistente".


Últimas projeções de crescimento de Perspectivas da economia mundial - FMI.




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