Educação

MORDAÇA

FICA ZÉ! Comunidade escolar faz campanha contra afastamento de professor crítico à ditadura militar

O professor José Luis Morais de Porto Alegre foi afastado pela direção da escola onde lecionava e pela 1a Coordenadoria Regional de Educação, em absurda ação de perseguição política. O nome da escola é uma homenagem ao ditador Costa e Silva, e o professor é parte de um movimento que há anos se opõe a essa homenagem e luta para trocar o nome da escola. #FicaZé #ForaMordaça

domingo 5 de março de 2017| Edição do dia

Foto: Silvia Ellers/Facebook

Há anos estudantes, professores e comunidade escolar da E. E. Pres. Costa e Silva se mobilizam contra a homenagem ao ditador feita pelo Estado no nome da escola. Durante a ocupação em 2016, os alunos rebatizaram simbolicamente a escola de Edson Luís, estudante secundarista assassinado pela ditadura militar em 1968, quando Costa e Silva era presidente. Na última semana a direção da escola e a 1a Coordenadoria Regional de Educação afastaram um dos professores que participava e apoiava estes movimentos, fazendo valer a lei da mordaça ou "Escola Sem Partido" antes mesmo deste ataque entrar em vigor oficialmente.

A justificativa da direção da escola e da 1a CRE é que professor estaria mudando o nome da instituição de ensino em suas atividades. Alunos e professores que apoiam o movimento pela troca do nome e contra a homenagem à ditadura militar expressa nele, utilizam o nome de Edson Luis ou acrescentam a palavra "Ditador" para se referir à escola. Esta é uma forma de protesto, de repudiar qualquer demonstração de apoio à ditadura militar, que perseguiu estudantes e professores, censurando aulas, reprimindo movimentos políticos, além de torturar e assassinar jovens, trabalhadores, indígenas e opositores do regime.

A perseguição política da 1a CRE e da direção da escola é uma tentativa de intimidação de todo o movimento de estudantes e professores. Uma campanha contra essa medida foi lançada pela comunidade escolar, e professores de diversas escolas já fizeram fotos exigindo a reintegração do professor, contra a mordaça no ensino público. Na sexta (03) foi realizado um ato em frente à escola com alunos, ex-alunos, professores e apoiadores.

Repudiamos a perseguição da direção e da 1a CRE e nos somamos à campanha pela reintegração imediata de José Luis Morais!

FICA ZÉ!
FORA MORDAÇA!

Em seu Facebook, José Luis escreveu sobre o ataque que está passando:

"MORDAÇA

E então colegas, propomos a reflexão, contextualizamos e problematizamos nossa história. Discutimos o quê, o por quê e como somos, a partir de nosso tempo e nossas ações.

E o que recebemos em troca: Descaso, desrespeito, perseguição pela gestão de uma instituição de ensino que deveria se preocupar em priorizar o conhecimento. Algo de muito errado acontece na dita escola Ditador Costa e Silva. Um ambiente de educação onde o assédio, racismo e perseguição são premiados.

Mas independente disso, nem todas as notícias são ruins. Só pra registrar, nesse último vestibular da UFRGS encaminhamos cinco alunos, sem contar vários outros que nos retornam dizendo do sucesso em seus concursos, decorrentes das abordagens que trabalhamos em aula; mas isso não é reconhecido.

Quando propomos o debate da questão da Ditadura no Brasil, buscamos não fazê-lo de forma mecânica, dentro de um jogo de perguntas e respostas. Problematizamos e buscamos a reflexão e antes de mais nada, respeitamos o conhecimento ao que nosso aluno tem direito, dentro de uma escola pública, laica e de qualidade.

Quando propomos a mudança “de forma simbólica” do nome da escola, problematizamos a questão. Sem contar que o tema está inserido em um projeto pedagógico aprovado em reunião com todos os professores da dita escola, em comum acordo com essa equipe diretiva, que esqueceu desse “detalhe” ao me denunciar na CRE, levando uma de minhas avaliações.

Nós, professores da escola que nos mobilizamos com o tema , já imaginávamos receber algum tipo de agressão , visto que em 07/12/2016 já havíamos recebido na nossa escola a visita da lei da mordaça.

A 1ª CRE compareceu até a nossa escola para questionar a palavra “ditador” junto ao nome do Costa e Silva e pedir para que “esqueçamos um pouco o passado”, alegando que “quem vive de passado é museu”. Vejam só!!!!
Seguimos na luta, mesmo que distante, junto com nossa querida escola EDSON LUIS!!
"




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