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ABSURDO

Entregadora sofre acidente e é bloqueada pela Uber Eats por não entregar bolo de pote

Uma jovem negra foi bloqueada pela empresa Uber Eats por não ter entregado um bolo de pote por conta do acidente que sofreu durante seu trabalho. A situação enfrentada pela entregadora exibe a realidade de inúmeros entregadores e trabalhadores precarizados que são submetidos às piores condições de trabalho por empresas de aplicativo com a Uber Eats, Rappi e Ifood.

sábado 25 de julho| Edição do dia

Em uma noite de chuva, a jovem negra Gleice Magda da Silva estava trabalhando quando sofreu um acidente. A trabalhadora precisava levar um bolo de pote de Santo André para Mauá, cidades que fazem parte do grande ABC paulista. Próxima ao local de entrega, um carro fechou a moto de Gleice, machucando a entregadora e destroçando sua mochila. Mesmo entrando em contato com o saque da Uber Eats, com medo de ser bloqueada injustamente pela empresa - uma vez que essa política absurda é recorrentemente adotada - ao reiniciar o aplicativo, a trabalhadora teve seu acesso bloqueado por suspeita de fraude.

A política de bloqueio é algo recorrentemente utilizado pela empresas de aplicativo. Combinada às exaustivas horas de trabalho, baixa remuneração, sistema de pontuação, a maior chance de acidentes e a falta de Equipamentos de Proteção Individual em meio a pandemia em curso, os entregadores vivem uma condição de extrema exploração que escancara as mazelas intrínsecas ao sistema econômico e à precarização do trabalho e o racismo.

Além do absurdo bloqueio por conta de um bolo de pote, Gleice também não recebeu qualquer forma de auxílio após o acidente. Somente depois ela foi desbloqueada, sem qualquer mensagem sobre o ocorrido.

A sua situação e de outros entregadores e trabalhadores precarizados, exibe o destino que Bolsonaro, militares e o demais atores da direita (como Maia e STF) reservam aos trabalhadores, sobretudo quando se apoiam na pandemia e no aceleramento da crise econômica para promoverem inúmeros ataques.

Com crescente desemprego, que cresceu cerca de 26% nos últimos dois meses, atingindo um enorme contingente da classe trabalhadora que conta somente com o insuficiente auxílio emergencial, quando este ainda é disponibilizado, cada vez mais trabalhadores têm recorrido aos aplicativo e outros trabalhos precários. Com efeito, ao mesmo tempo que são expostos à pandemia, sem direito à EPIs e a um sistema de saúde público de qualidade, eles são submetidos a degradantes condições de trabalho, escancarando os problemas estruturais do capitalismo com suas crises e colocando a necessidade de superá-lo.

Nesse marco, o apoio a luta dos entregadores de aplicativo contra a precarização do trabalho é algo fundamental e que compreendemos que deve ser apoiado por mais setores da classe trabalhadora. Sendo assim, é papel das grandes centrais sindicais organizarem seus sindicatos para que eles mobilizem seus trabalhadores desde as bases contra os ataques que estão sendo promovidos, ao passo que se lute pelas demandas dos entregadores e pela imposição de um programa pela redução das horas de trabalho, sem redução de salários - a fim dividir o trabalho disponível entre os trabalhadores - e que também se coloque pela disponibilização de um auxílio de 2 mil reais para população e contra a política de demissão dos grandes empresários.

Pensando na crise sanitária, é preciso levantar um programa que consiga respondê-la, a partir da testagem massiva e da estatização de todos os leitos sob o controle dos trabalhadores da área da saúde. Tudo isso, tendo como horizonte a imposição de uma assembleia constituinte livre e soberana, que não alimente mais ilusões sobre esse regime degradado, possibilitando uma experiência que coloque a necessidade de superação do capitalismo.

Leia nosso editorial: Entre a pandemia, o desemprego e os ataques: lutar para que os capitalistas paguem pela crise




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