Sociedade

QUILOMBO CAMPO GRANDE

Com helicópteros e caveirão, Zema e PM despejam violentamente famílias do Quilombo Campo Grande

Zema e a PM mineira se valeram de toda a violência de seu aparato de repressão para despejar as 450 famílias que formavam o Quilombo Campo Grande, mostrando a crueldade com que mesmo em tempo de pandemia se valem para garantir a propriedade privada.

sexta-feira 14 de agosto| Edição do dia

A ação de despejo ao acampamento do MST durou mais de 60 horas e apesar da promessa de Zema de suspender a covarde ação nessa sexta-feira, 14, a PM avançou com a repressão jogando bombas nos moradores que resistiam bravamente no local.

Moradores do acampamento relatam que o cenário é quase de guerra em Campo do Meio (MG) com policiais avançando com a tropa de choque contra os moradores e utilizando bombas de gás lacrimogêneo. Até mesmo um helicóptero e um camburão foram utilizados para intimidar os moradores, mostrando a violência com que os cães de guarda do capital protegem a propriedade privada de seus donos.

Uma das moradoras do acampamento relatou no terceiro dia da ação de resistência ao portal Brasil de Fato que: "É muito desespero. É muita gente chorando, caindo pelo chão. Estão passando por cima. Muita gente machucada. Crianças sumiram”

O acampamento do MST existe há 22 anos na área em que existia a falida Usina Ariadnópolis e é referência na produção de café.

Qualquer ação de despejo deve ser rechaçada, porém o descaso do governo Zema ganha contornos ainda mais cruéis se paramos para pensar que o Brasil atravessa uma crise sanitária frente ao negacionismo quanto a pandemia do novo coronavírus. São 450 famílias ameaçadas de irem parar na rua em meio a proliferação de um vírus que no brasil já matou mais de 105 mil pessoas, segundo os dados oficiais, que contem uma enorme subnotificação.

Segundo Esther Hoffman a ação ainda seria ilegal perante a justiça burguesa, já que os acampados se retiraram da área referente na decisão judicial que decidiu favoravelmente ao antigo proprietário da antiga Usina.

“A polícia continua ameaçando avançar para além da decisão judicial, que são os lotes familiares, que não estão contidos dentro do processo dessa liminar de despejo. O que eles querem é despejar ilegalmente as famílias que produzem, moram, tem suas construções e famílias nessa área há mais de 20 anos. Nos colocaram em uma situação de risco, fazendo o despejo em meio à pandemia, nos forçaram estar aqui. Com uma aglomeração causada pela PM, colocando as famílias em risco de contaminação”, denunciou Hoffman ao site Brasil de Fato.

Segundo os moradores o aparato repressivo de Zema contém dois caveirões e até helicópteros que sobrevoam o local intimidando as famílias que resistem. Ontem os policiais utilizaram até de focos de incêndio para reprimir as famílias ateando fogo em torno do acampamento.

O apoio aos sem-terra que resistem bravamente vem ganhado a internet com as hashtags "Zema Covarde”, “Zema criminoso” e “Salve o Quilombo". Contra o conluio entre judiciário, Zema e polícia para garantir os interesses dos proprietários manifestamos nosso apoio a brava resistência dos quilombolas. Contra as forças desse regime que querem manter a propriedade dos capitalistas é preciso se apoiar na força da mobilização dos camponeses e quilombolas para exigir uma reforma agrária que assegure a distribuição e regularização das terras.




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