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Com a USP esvaziada, Reitor aprova no Conselho Universitário reajuste salarial de 1,5%

No dia 29 de maio ocorreu a reunião do Conselho Universitário da USP. Mesmo com as aulas canceladas, funcionários, estudantes e professores fizeram um forte ato contra o arrocho salarial e o autoritarismo do reitor, Vahan Agopyan.

quarta-feira 30 de maio| Edição do dia

Apesar da manobra da Reitoria de se apoiar no movimento reacionário de caminhoneiros para liberar estudantes e professores, enquanto tratava de maneira diferenciada os trabalhadores, obrigando-os a vir trabalhar de qualquer maneira para poder realizar o Conselho Universitário (CO) com a USP esvaziada, foi realizado um importante ato com centenas de trabalhadores e estudantes de várias unidades exigindo a suspensão da reunião.

Na noite anterior à realização do CO, o Reitor da USP, Vahan Agopyan, convocou o Conselho para se reunir cinco horas antes do horário oficial para que os Diretores e representantes da burocracia já ficarem dentro do prédio cercado, vigiado e guardado pela Polícia Militar e iniciarem a questionada reunião. Um ato de centenas de trabalhadores e estudantes se instalou do lado de fora do prédio cercado de grades exigindo que o CO fosse suspenso.

Dentro do Conselho, os representantes de trabalhadores e estudantes também se posicionaram exigindo a suspensão da reunião. A Reitoria, porém, ignorou todas as questões de ordem e argumentos em relação a decisão sobre o reajuste salarial estar sendo tomada pelo CO e não entre o Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas e o Fórum das Seis, atacando assim a isonomia das três universidades paulistas. Também foi argumentado a ilegitimidade de tal reunião em meio a Universidade esvaziada, quando tudo foi desmarcado, de aulas de graduação até reuniões de negociação, mas o CO foi mantido. O Reitor ignorou todas essas manifestações e afirmou que faria a votação de qualquer jeito. Frente a isso os representantes dos estudantes e trabalhadores se retiraram da reunião.

Logo após essa saída, o representante dos trabalhadores, Bruno Gilga, declarou:

"Nos retiramos [da reunião] porque justamente o Reitor tinha mantido a reunião nas condições em que ele mesmo esvaziou a Universidade para poder aprovar a continuidade do arrocho salarial por mais um ano. Isso, depois do ano passado termos nosso salário congelado, e no ano anterior sofrido mais de 7% de perda no salário. Além de estarmos há mais de cinco anos com os vale-refeição e vale-alimentação congelados e, apesar das agencias mediadores dizerem que a inflação está entre 1,34% e 2,9%, nós sentimos cada vez mais nos alimentos e nos combustíveis, como a inflação é maior que isso, e cada vez levamos menos comida pra casa.

Aprovaram essa política, nessa situação, com o argumento de que não tem dinheiro. Agora, pergunto, eles estão indo pra ALESP e pro Palácio dos Bandeirantes reclamar que não tem dinheiro porque o governo do PSB e PSDB deixa, há anos, de repassar para as Universidades a quantia completa dos 9,57% do ICMS previsto em lei? Não. O que eles estão indo pra ALESP reclamar é pela aprovação de uma emenda que já foi aprovada em primeira instância e vai pra votação final dia 05/06, que aumenta o teto dos salários, ou seja, libera que centenas de professores, particularmente os que fazem parte do CO, aumentem ainda mais seus salários.

O reajuste de 1,5% proposto pela Reitoria representa R$31,00 no salário dos trabalhadores que ganham o piso da categoria, já esses professores, com o aumento do teto, terão seus salários aumentado para até R$31.000,00. O impacto dessa medida de aumento do teto somente nos salários mais altos de uma casta minoritária representa um impacto no orçamento da Universidade muito maior do que o reajuste de 1,5% para os 20.000 trabalhadores e professores. E isso, ao mesmo tempo em que o vice-Reitor, o ex-Reitor e dezenas de burocratas que compõe o CO vêm recebendo diárias maiores que o piso salarial dos trabalhadores da USP, apesar de trabalharem todos os dias e terem residência fixa em São Paulo. E são eles mesmos que autorizam o pagamento desse auxílio-moradia irregular para eles próprios!!! Até mesmo o Ministério Público entrou com representação no Tribunal de Contas do Estado exigindo a devolução desse dinheiro e o pagamento de multa pela administração da Universidade que aprovou o pagamento dessas diárias para si próprios.

Para tudo isso tem dinheiro! E durante a reunião ainda houveram professores, como o Diretor do Instituto de Física, que disseram que iriam, inclusive, votar contra esse aumento miserável de 1,5% fazendo demagogia com os estudantes, dizendo que votaria zero por cento para poder garantir permanência pros estudantes, em uma manobra para tentar jogar estudantes e trabalhadores uns contra os outros, como se tivéssemos que competir entre nós por uma migalha. Enquanto dizem que o que vai impedir de dar permanência para os estudantes é 1,5% que representa R$31,00 nos salários mais baixos, estão autorizando mais de R$5.000,00 por mês, em média, para eles mesmo, além do salário de R$31.000,00, enquanto se calam em relação ao repasse incompleto do ICMS feito pelo governo.

Mas os estudantes e trabalhadores não podem cair nessa manobra, e por isso precisamos lutar juntos para impor tanto o reajuste salarial, quanto a permanência estudantil às custas dos privilégios desses burocratas e às custas das verbas que os governos do estado deixam de repassar para as Universidades e para a educação para usarem em suas negociatas e corrupção."

Os estudantes, que já estão em greve, devem se reunir em assembleia geral no dia 5 de junho às 17h30 no vão do prédio da história. Os funcionários da USP realizarão sua assembleia também no dia 5, às 12h30 no auditório da história para votar o indicativo de greve da categoria. A assembleia de professores é no dia 4 de junho.

É fundamental massificar a mobilização na universidade para derrotar Vahan e o desmonte. Contra o arrocho salarial e por mais permanência estudantil!




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