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Após pedido de impeachment aprovado, Marchezan reabre quase tudo em Porto Alegre

quinta-feira 6 de agosto| Edição do dia

Não durou um dia da aprovação de impeachment na câmara dos vereadores para Marchezan anunciar que vai abrir quase tudo novamente em Porto Alegre. Proposto por quatro advogados ultrarreacionários e bolsonaristas, o impeachment de Marchezan se baseia em uso ilegal do fundo municipal de saúde para fazer propaganda. Mas por trás do pedido está a pressão do empresariado da cidade para que o prefeito abra tudo e a capital volte à “normalidade”, como se isso fosse possível com o sistema de saúde beirando o colapso.

Estabelecimentos comerciais de ruas, shoppings e centros comerciais ficam autorizados a funcionar até domingo, dia dos pais, sem limitação de horário. Salões de beleza e barbearias estão liberadas com limites. Para a próxima semana Marchezan está planejando retomada gradual dos demais setores, tudo combinado com as entidades patronais.

O pedido de impeachment foi feito em base a peça jurídica feita por advogados ultrarreacionários. Um deles possui em seu perfil de facebook um filtro chamando as pessoas a saírem de casa e desobedecerem as regras de isolamento social. Eles compartilham o manifesto das entidades patronais da cidade, ou seja, da burguesia da cidade, pressionando o prefeito a abrir tudo. Querem que os trabalhadores fiquem expostos ao vírus nos ônibus lotados, nos locais de trabalho, tudo para garantir seus lucros (que em na véspera dos dias dos pais aumenta ainda mais). Isso é o que está por trás do impeachment, e Marchezan prontamente atende à pressão.

Já passamos a marca de mais de 2 mil mortos no estado, com centenas localizadas na cidade. O sistema de saúde já está com mais de 90% da sua capacidade de internação, com a curva subindo a cada dia e o número de mortos batendo recordes toda semana. O empresariado portoalegrense segue a cartilha bolsonarista, ao passo em que Marchezan cede à pressão dos patrões. Ele corta linhas, deixa os ônibus lotados, se alia aos empresários do transporte para demitir rodoviários e arrochar os trabalhadores.

Marchezan deve ser derrubado pelas mãos da classe trabalhadora e não por uma campanha da alta burguesia da cidade para abrir ainda mais o comércio. Sem contar que seu vice, Gustavo Paim, do PP, provavelmente atenderá os pedidos da patronal caso assuma.

O impeachment segue em trâmite na câmara. Falta ser avaliado pela comissão sorteada na câmara, onde o resultado ainda é incerto. E depois disso a própria câmara votar. De qualquer forma a manobra da patronal vem dando frutos, com Marchezan abrindo ainda mais o comércio e colocando em risco a vida dos trabalhadores, isso tudo com o aval da esquerda que vem aderindo ao impeachment de forma acrítica, sem tocar no que há por trás.




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