Educação

SÃO PAULO

Alunos do CRUSP recebem frutas estragadas em marmitas

domingo 5 de abril| Edição do dia

Na noite do dia 02, estudantes que moram no Conjunto Residencial da USP (CRUSP) receberam para seu jantar frutas estragadas, além de ter sido encontrado por uma estudante pedaços de plástico misturados na sua comida. Essa situação absurda, que representa apenas uma pequena parcela do que os alunos que residem na moradia estudantil da universidade têm vivido, escancara o projeto de precarização da educação que a reitoria promove há anos e que está em diálogo com o que é aplicado à nível nacional. Situações de descaso como essa não são pontuais, uma vez que os estudantes cada vez mais estão sendo afetados pelos cortes na política de permanência e de outros serviços da USP, como o Hospital Universitário.

Em decorrência da medida de isolamento imposta pelas autoridades para combater o avanço da pandemia do Coronavírus, as aulas e todas as atividades presenciais da universidade foram encerradas por tempo indeterminado. Consequentemente, muitos alunos moradores do conjunto habitacional da USP estão sendo prejudicados com a falta de assistência e apoio por parte da reitoria e da direção da SAS (Superintendência de Assistência Social).

Mesmo com a distribuição de marmitas e kits de higiene, a situação dentro da moradia continua precária. A reitoria não atende as demandas dos estudantes, que passaram nas últimas semanas por falta de água em alguns blocos, ineficiente assistência à alimentação e ausência de um agente de saúde no local para a disponibilização de testes ao Coronavírus.

Para as famílias que moram no conjunto estudantil, composta em sua maioria por mães solo, a situação é ainda pior. Em meio ao isolamento social, vivem em apartamentos minúsculos, sem produtos de higiene suficiente e sem auxílio para lidar com sintomas de asma e pneumonia que algumas crianças apresentam. O relato é de uma situação de guerra, onde mesmo dentro do pequeno espaço em que vivem, mães decidem evitar contato com seus filhos para não expô-los, pois sabem que se pegarem o vírus, vão enfrentar a falta de assistência adequada.

Diante de toda a problemática do Coronavírus e a ausência de apoio por parte da universidade, os residentes do CRUSP ainda enfrentam um grande desafio na permanência dos blocos. Um grande exemplo é falta de fogões, utensílios para o preparo de alimentos e bolsas para a compra desses, obrigando-os a depender da distribuição de marmitas, a enfrentar grandes aglomerações, ou a viver situações como a que denunciamos, de receber alimentos estragados.

Infelizmente, todas essas ações e situações citadas são promovidas pela reitoria, que vem cortando verbas na permanência estudantil, não só agora em razão da pandemia do Coronavírus, mas a todo momento, sobretudo desde que foi aprovado o teto de gastos em 2017. A falta de investimento prejudica cada vez mais todos os estudantes da USP e, principalmente os moradores do CRUSP, sendo que esses são os que mais necessitam desse tipo de política.

A reitoria nega qualquer forma de suporte a esse grupo de estudantes, ao mesmo tempo que precariza outros serviços da universidade e os trabalhadores. Esse contexto atual, intensificado pelo Covid-19, reforça o papel que as entidades estudantis e de trabalhadores, presentes na universidade, devem cumprir contra esse projeto.

A mesma reitoria que não investe em permanência, que precariza o Hospital Universitário e que submete os estudantes é a que paga super salários, que abre cada vez mais caminho para iniciativa privada e que se nega a abrir o livro de contas. Pensando nisso, a defesa dos direitos dos estudantes, principalmente dos que moram no CRUSP, se faz crucial nesse momento, conjuntamente a defesa dos trabalhadores e do Hospital Universitário, sendo que, este último tem sofrido um desmonte pela falta de investimento e de funcionários.

Assim, além da falta de investimentos no Hospital Universitário, os estudantes e a comunidade da Zona Oeste sofrem com a indiferença e a falta de orientação perante a situação que estamos vivendo hoje. Os testes para o Coronavírus não estão sendo feitos nessa parte da população e muitas pessoas, principalmente da comunidade, não possuem recursos para prevenção e acabam sendo vítimas fatais da doença.

Frente a isso, além da disponibilização massiva dos testes para Covid-19, compreendemos que é necessária a contratação imediata de mais trabalhadores para o Hospital Universitário e a garantia de equipamentos de proteção individual para todos os funcionários do Hospital, além de testes para que possam seguir trabalhando em segurança. Concomitantemente, a universidade deve reabrir os blocos K e L do crusp, promover as reformas emergenciais nas cozinhas dos prédios, a disponibilização de mais bolsas, cestas básicas e a liberação de comida dos bandejões aos moradores. Contudo, uma vez que a Reitoria e a Superintendência seguem intransigentes com seu projeto, o Diretório Central dos Estudantes deve buscar a articulação com os centros acadêmicos e o conjunto dos estudantes para construir um plano de enfrentamento contra esse projeto que precariza todos os setores da universidade.




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