Internacional

Alta de 10% no petróleo é registrada após ataques a refinarias na Arábia Saudita

O preço disparou diante dos ataques massivos à principal empresa petroleira saudita que abastece 5% do petróleo mundial, despontando uma crise regional e ameaças ao Irã.

segunda-feira 16 de setembro| Edição do dia

O petróleo cru Brent, refinado na Europa, subiu 10,5% no mercado de futuros de Londres, consequência dos ataques do último fim de semana contra as principais refinarias sauditas.

No sábado (14), o ataque de cerca de vinte drones destruiu metade da capacidade operativa da petroleira estatal saudita que abastece 5% do mercado mundial de petróleo. Apesar da Arábia Saudita ter declarado que poderia se avançar rapidamente para uma solução, estima-se que a capacidade de produção seja afetada durante semanas, o que fez com que os preços mundiais disparassem. Os motivos são especulativos e expressam o medo diante de uma escalada no conflito regional entre a Arábia Saudita e o Irã, já que o reino saudita possui um estoque de 800 milhões de barris e uma produção diária de 5 milhões de barris. Ou seja, mais do que suficiente para garantir o abastecimento mundial durante um longo período.

A autoria dos ataques foi reivindicada pelos xiitas huties do Iêmen, que há cinco anos detêm o controle da capital e das principais cidades do país, alvo de ataques e bombardeios brutais por parte da Arábia Saudita, com armamento do EUA, convertendo o Iêmen em um dos países com maior crise humanitária a nível mundial. No entanto, apesar do ataque ter sido reivindicado pelos huties, os Estados Unidos e a Arábia Saudita preferiram apontar seus canhões para o Irã, inimigo número um do reino saudita e patrocinador dos huties.

Este cenário faz aumentar ainda mais o preço do petróleo, pelo temor de uma escalada que vá muito além do ataque com drones do último sábado.

O gigante petroleiro saudita Aramco, o principal do mundo, indicou que levará várias semanas até que suas instalações voltem a operar na normalidade, o que impõe temor acerca das consequências no fornecimento de petróleo cru a nível mundial.

De acordo com Aramco, os ataques (que os EUA atribuíram ao Irã) reduziram 5,6 milhões de barris da produção diária de petróleo cru.

Diante da inquietação sobre uma alta nos preços, o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a liberação de reservas de petróleo do país para garantir o fornecimento mundial, caso necessário.

Até o momento, com exceção do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que apontou o Irã como responsável direto, Trump não nomeou o país persa, apesar de ter ameaçado atacar o responsável pelo ataque. No entanto, países como Alemanha, Reino Unido, Rússia e China declararam que não se deve tomar nenhuma medida precipitada, na tentativa de reduzir os níveis de um conflito que há tempos ameaça converter-se em um barril de pólvora regional e mundial.




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