Sociedade

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

5 provas de que a “nova” reforma da previdência vai acabar com sua chance de se aposentar

A "nova" reforma da previdência não vai deixar você se aposentar, muito menos ter dignidade depois de uma vida inteira de trabalho. Veja cinco provas disso.

quinta-feira 7 de dezembro| Edição do dia

1. Você pode (e muita gente vai) morrer antes da idade mínima para se aposentar.

Um dos principais pontos que se mantém na “nova” reforma da previdência é a elevação da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos. Ora, vejamos num primeiro exemplo, quanto vive grande parte dos brasileiros que moram na cidade mais rica do país:

No centro econômico do Brasil, entre seus 96 distritos, 36 têm a expectativa de vida inferior a 65 anos, ou seja, essa galera das periferias que morre com 55/57 anos, seja assinada pela polícia ou na fila dos hospitais, já está excluída sumariamente do direito a aposentadoria.

Se na cidade de São Paulo, capital do estado que está na 4ª posição de melhor média em expectativa de vida, com 74,2 anos para os homens, é assim, podemos imaginar a expectativa de vida por município nos 13 dos 27 estados do país cuja média é menor que 70 anos entre os homens.

Passada a reforma, na média de Alagoas por exemplo, um homem teria direito a gozar de sua aposentadoria durante longos um ano e dois meses. Isso porque estamos falando em média, que esconde o número absoluto de pessoas que não chegam nem perto dessa faixa etária.

*Na luta pela sobrevivência, um homem negro vive 5,2 anos a menos que a média geral no Espírito Santo

2. Se você ganhar menos que um salário mínimo (por ter um trabalho intermitente), vai ter que contribuir extra se quiser se aposentar.

Aqui temos um legítimo combo golpista de primeira. Reforma trabalhista e da previdência garantindo juntas que você trabalhe até morrer.

A reforma trabalhista formalizou o trabalho intermitente, onde o trabalhador fica a disposição do patrão, mas só recebe as horas trabalhadas, ou seja, se a empresa convoca o trabalhador às 13hs, mas só utiliza sua força de trabalho das 17hs às 18hs, o trabalhador receberá apenas pela hora trabalhada, embora tenha ficado à disposição do empregador das 13hs às 18hs. Essa grande inovação trabalhista pode levar a que muita gente que vá ganhar R$4,45 por hora, como já estão oferecendo algumas lojas por aí, não alcance no fim do mês o valor total de um salário mínimo (R$ 937, atualmente). E o que isso tem a ver com a aposentadoria? Como se não bastasse que a lei trabalhista legitime o fim do salário mínimo, as pessoas que ganharem menos que isso não terão sequer direito a utilizar a previdência social, a não ser que façam uma "contribuição adicional" ao INSS. Ou seja, não contará para o tempo de aposentadoria, não terão direito a nenhum tipo de auxílio-doença ou qualquer outro direito elementar garantido pela previdência.


Magazine Luiza já adotou o trabalho intermitente com mísero 4,45/h de salário

3. As conquistas dos trabalhadores do funcionalismo publico serão esmagadas.

Ao equiparar as condições do funcionalismo com os trabalhadores de empresas privadas sob o regime da CLT, a reforma da previdência esmaga anos de história de luta dos trabalhadores. Se você construiu uma carreira no Estado e conseguiu ganhar um pouco mais que o teto da CLT durante o tempo de atividade, seu salário será cortado assim que se aposentar.

4. Se você trabalhar “por conta”, dificilmente vai se aposentar.

Com a nova regra o tempo mínimo de contribuição para ter direito à aposentadoria é de 15 anos. Quais as empregadas domésticas, trabalhadores rurais ou a imensidão de trabalhadores não formais, contribuem regularmente para a previdência durante 15 anos? Nesses ramos de trabalho, num país marcado pela história de escravidão que herdou suas misérias, é muito frequente a falta de registro profissional ou a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias desses trabalhadores que são em sua maioria negros e negras.

5. Se depois de tudo, você resistir 65 anos, fizer sua contribuição por pelo menos 15 anos tendo um trabalho que pague mais que um salário mínimo, o governo ainda vai roubar uma fatia da sua aposentadoria.

A nova reforma da previdência confisca o salário dos trabalhadores que viverem até 65 anos para se aposentarem. A nova regra altera tanto o cálculo do valor máximo que um trabalhador pode ter direito em sua aposentadoria (incluindo as menores que contribuições que eram excluídas) como altera o fator previdenciário. Desse jeito um trabalhador de 65 anos de idade e com 35 anos de contribuição, pela regra vigente receberia 100% do valor que tem direito, e pela nova regra 87,5% de um total já diminuído!

Façamos um exemplo nada “privilegiado”, um trabalhador de 65 anos de idade que tenha contribuído por 65 anos e que seu salário tenha aumentado ligeiramente (2%) acima do salário mínimo a partir de seu quinto ano registrado. Ao chegar aos 65 anos estaria contribuindo com R$ 1731,85, sua média de contribuições nesses 35 anos seria de R$ 1264,33 e como a regra atual exclui as menores contribuições esse mesmo trabalhador seria elegível a receber R$ 1342,00 depois de 35 anos de labuta. Pela nova regra de Temer os 35 anos já não valeriam o “máximo” que ele poderia receber, mas só 87,5% e o próprio total ao incluir os cinco primeiros anos recebendo só um salário mínimo diminuíram seu máximo para R$ 1264,33, porém como esse valor seria multiplicado por 0,875 ele receberia somente R$ 1106,29. A reforma de Temer roubará desse trabalhador R$ 235,71. Ou seja nada de combater privilégios, o que essa reforma fará será roubar do bolso dos trabalhadores, dos pobres!

foto: Presidente Michel Temer em evento em Brasília. ADRIANO MACHADO REUTERS




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