Internacional

FRANÇA REPRESSÃO

1800 detidos desde o início da luta contra a reforma trabalhista na França

Enquanto são preparadas novas manifestações para quinta-feira (23), o governo já não se contenta com a ameaça da proibição, senão que as proíbe diretamente. Frente à repressão será necessária uma resposta unitária da juventude e dos trabalhadores.

quinta-feira 23 de junho de 2016| Edição do dia

Com o balanço feito pelo Ministro do Interior feito público na sexta-feira passada, nos interamos de que ao redor de 1800 pessoas foram detidas em pouco mais de três meses de movimento contra as reformas pró-patronais do governo. Uma centena já foi julgada imediatamente. Muitas delas foram condenadas a penas de vários meses de prisão (regime fechado ou condicional).

O ministro também quis defender a permissão dada às forças repressivas contra as manifestações e as concentrações. Segundo ele, estas consistem em “um uso proporcional da força pública para assegurar a segurança dos manifestantes e dos vizinhos e fazer ser respeitado o direito à manifestação, e uma firmeza absoluta com os ‘baderneiros’”.

O uso da força foi tão razoável como Cazeneuve diz quando um estudante de 15 anos recebeu uma paulada da polícia em frente à sua escola em Paris? Ou quando um manifestante perdeu um olho em Rennes por uma bala de borracha disparada pela polícia? Para mencionar somente alguns dos casos. Além disso, fazer respeitar o direito à manifestação significa proibir as manifestações como parece sugerir o governo? Como vem sendo costume, o governo se esforça em difundir seu discurso orwelliano deformando a realidade e tratando de mudar a opinião pública que segue sendo favorável à mobilização.

O governo continua tratando de dividir os manifestantes entre “bons” (ou seja, “pacifistas”) e “maus”, baderneiros. Com suas declarações, o número 1 da CGT, Philippe Martínez, não só entra no jogo da divisão entre “bons” e “maus” manifestantes do governo, senão que legitima a repressão contra os “baderneiros” que seria necessário neutralizar.

Mas o governo, apesar de suas belas palavras que tratam de “tranquilizar” a opinião pública, na realidade não faz nenhuma distinção. O estudante mobilizado, o trabalhador em greve, o suposto “baderneiro”, como os sindicalistas da Air France que arrancaram a camisa de seu Diretor de Recursos Humanos, são todos delinquentes aos olhos do governo, já que põem em questão suas leis e seu mundo.

Nas semanas e meses seguintes, o movimento contra a reforma trabalhista se verá confrontado com o sistema judicial e com cada vez mais processos a manifestantes.

As equipes militantes que surgiram em universidades e empresas deverão fazer frente à questão da repressão em sua vertente judicial. E para se organizar efetivamente, por cima dos desacordos políticos existentes ou os meios de ação empregados, aqueles que lutam contra a reforma trabalhista deverão trabalhar lado a lado sem distinção para fazer frente à repressão que virá. Para estar à altura das circunstâncias, é necessária uma grande campanha unitária contra a repressão e a condenação dos manifestantes, junto aos trabalhadores da Air France cujo processo foi posposto para os dias 27 e 28 de setembro. Trata-se de uma tarefa central para evitar a desmoralização e a desintegração dos setores emergentes da vanguarda no seio da juventude e do mundo do trabalho.

Tradução: Francisco Marques




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