Juventude

JUVENTUDE

Uma Faísca que incendeia a juventude ao lado dos trabalhadores, contra esse sistema capitalista

A Faísca nasceu ao calor das lutas secundaristas e contra o golpe institucional em nosso país, buscando construir uma alternativa independente da Lava Jato e do PT, para as centenas de jovens que anseiam revolucionar o mundo.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 2 de abril| Edição do dia

Hoje completam-se dois anos do lançamento da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, um projeto construído por centenas de jovens, de diversos estados do país. Uma juventude que foi se forjando ao calor das lutas secundaristas e do correto combate ao golpe institucional em curso no Brasil naquele momento. Os mais de 400 jovens presentes naquele lançamento tinham um desejo: lutar contra essa sociedade capitalista, que a todo momento retira nossas potencialidades, ser a faísca que ao lado da classe trabalhadora vai incendiar o Brasil e o mundo pela revolução.

Foi assim que logo nos primeiros meses da agrupação nos jogamos na luta dos secundaristas de São Paulo e na greve das estaduais paulistas, junto a juventude que gritava Fora Temer e Abaixo o golpe, que defendia a educação pública dos ataques em cursos. Depois fomos parte das histórica onda de ocupações nas universidades federais e escolas pelo país, contra a PEC do Fim do mundo. Uma das primeiras medidas do governos golpista de Temer, que congelava por 20 anos o investimento em saúde e educação. Estivemos na linha de frente da defesa da UERJ, primeira universidade pública a adotar as cotas-étnico raciais no país, que enfrenta até hoje uma brutal crise financeira, expressão de como essa universidade e o próprio Rio de Janeiro se tornou o laboratório dos ataques que a burguesia pretende passar contra a juventude a classe trabalhadora.

Nossa juventude foi sendo forjada nas lutas junto com os trabalhadores, desde a aliança com os trabalhadores, efetivos e terceirizados de cada universidade e escola em que estamos. Até o apoio ativo às greves dos professores do mais diferentes estados, como a recente e vitoriosa greve dos professores municipais de São Paulo, que derrotaram a reforma da previdência do Dória. Fomos as fábricas, denúnciar para os trabalhadores cada ataque que os capitalistas tentavam descarregar sobre nossas costas. Estivemos aos lado da gigantesca classe operária brasileira, que no ano passado parou o país em paralisações nacionais que ficaram conhecidas como greves gerais. Que mesmo com o enorme controle das burocracias sindicais traidoras, que não organizaram efetivamente desde a base essas mobilizações, foi capaz de mostrar o enorme potencial dos trabalhadores. Fomos para Brasília lutar contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista do governo golpista. Nos jogamos na luta contra a privatização da CEDAE no Rio de Janeiro, demonstramos nosso apoio a paralisação dos metroviários de São Paulo e a luta dos rodoviários em Porto Alegre. Entre diversas outras lutas operárias.

Defendemos o transporte público, contra o aumento abusivo das passagens, que só visa o lucro dos patrões, defendendo a estatização das empresas de ônibus e metrô, sob controle dos trabalhadores e usuários. A necessidade de legalizar todas as drogas também sob controle dos trabalhadores e usuários, como a única resposta possível para se enfrentar até o final com a violência provocada pela guerra entre a polícia e o tráfico de drogas. Lutamos contra o encarceramento da juventude, principalmente a juventude negra, e contra o absurdo projeto de redução da maioridade penal. Nos juntamos aos trabalhadores da arte e da cultura, defendemos o grafitti, o pixo e toda a arte de rua.

Denunciamos a barbárie capitalista com seus barcos da morte no mediterrâneo e a xenofobia imperialista contra os imigrantes. Nos rebelamos contra o imperialismo e sua face mais machista, racista e nojenta, que é Trump. Nos incendiamos com a juventude norte americana que gritava que as vidas negras importam, com o povo catalão defendendo o seu direito à autodeterminação. Com a greve internacional de mulheres e o grito por nenhuma a menos.

Junto às mulheres do Pão e Rosas, nos colocamos na linha de frente das lutas das mulheres, exigindo nosso direito ao aborto legal, seguro e gratuito, reivindicando o direito pleno a maternidade e por mais creches, denunciamos o feminicídio e a violência machista desse Estado, batalhamos contra a precarização dos nossos corpos e vidas. Eramos centenas em cada bloco do 8 de março, em cada manifestação nas ruas por Nenhuma a Menos. Organizando desde nossas escolas, universidades e locais de trabalho cada vez mais mulheres para lutar contra o machismo e o capitalismo. Fomos milhares pelo país contra a Cura Gay, e cada violência LGBTfóbica, pelo direito a livre construção da sexualidad e do gênero. Combatemos o racismo dentro e fora das universidades, sendo parte do movimento que arrancou as cotas raciais na USP e na Unicamp, lutando pela efetivação dos trabalhadores terceirizados, denunciando a violência policial nos morros e nas favelas. E sendo parte do lançamento do Quilombo Vermelho, junto com centenas de jovens e trabalhadores negros de todo o país. Estivemos lado a lado com as lutas dos guaranis e todos os povos indígenas do nosso país.

Combatemos cada ataque do governo golpista, de forma independente da Lava Jato e da estratégia de conciliação de classes petista. Denunciamos como a condenação arbitrária de Lula era parte da continuidade do golpe institucional onde juízes que nunca foram eleitos por ninguém tentavam decidir preventivamente em quem a população pode ou não votar. Nos colocamos contra a intervenção federal no Rio de Janeiro, e fomos parte dos milhares que se comoveram e quiseram tomar as ruas contra o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco. Dizendo claramente que esse Estado é responsável, e exigindo uma investigação independente.

Nesses dois anos, batalhamos em cada universidade e escola, para que as entidades estudantis estejam a serviço de organizar a luta dos estudantes, como ferramentas para fomentar a auto-organização e a mobilização desde a base. Defendendo a necessidade de espaços democráticos como assembleias e reuniões abertas onde os estudantes possam debater suas opiniões e organizações quais são as medidas necessária para se avançar nas suas reivindicações. Estivemos ao lado dos jovens trabalhadores precários e desempregados, lutando contra a precarização das nossas vidas e em defesa dos nossos direitos.

Em todo esse tempo realizamos dezenas de grupos de estudos, ciclo de debates, formações e atividades que buscavam se apropriar do melhor da teoria revolucionária para formar jovens conscientes e atuantes. Foi com esse espírito que no ano do centenário da revolução russa, realizamos um acampamento no Rio de Janeiro, buscando tirar as lições do maior revolução da história da humanidade. Temos orgulho de ter sido parte da geração de jovens que todos os dias constrói dia a dia, uma mídia independente dos trabalhadores e da juventude, como é esse portal Esquerda Diário, assim como a parceria com a revista e o canal Ideias de Esquerda. Buscando que cada vez mais, ampliar e difundir as ideias e a teoria revolucionária.

Seguimos firmes, em cada universidade, em cada escola, em cada fábrica ou local de trabalho, sendo a faísca pronta para incendiar a juventude ao lado da classe trabalhadora. Nos organizando contra cada ataque aos nossos direitos, mas preparando para o nosso revide. Buscando retomar o espírito subversivo de Maio de 68, de um movimento estudantil que ao lado da classe trabalhadora, pretende ser a faísca que vai revolucionar essa sociedade e livrá-la de toda a exploração e opressão, para construir um mundo novo onde todos possam apanhar a viva flor da vida. Para construir uma sociedade comunista.




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