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DENÚNCIA

Soldado foi torturado em quartel paraquedista, tropa conhecida pela violência contra negros no Haiti e nos morros

sexta-feira 7 de abril| Edição do dia

Foram três minutos de tortura. Com as mãos e os pés amarrados, o soldado de 20 anos do 27.º Batalhão de Infantaria Paraquedista que sonhava em seguir a carreira militar sofreu golpes com pedaços de madeira, plásticos e fios. Na sequência, foi deitado em uma cama e um cabo mordeu suas nádegas até sangrar e arrancar pedaços. O jovem teve um testículo amputado por causa das agressões. O relato é do advogado Marcelo Figueira, que representa o soldado na ação movida na Justiça Federal contra 18 cabos acusados de tortura.

Segundo Figueira, a sessão de tortura aconteceu no segundo andar do alojamento dos cabos, em horário fora do expediente. Para que os golpes e os gritos do jovem não fossem vistos nem ouvidos, os agressores fecharam janelas e cortinas. Um soldado que estava com o rapaz, e que também seria torturado, teria desmaiado ao testemunhar as agressões.

Figueira afirma que os cabos mandaram que, no dia seguinte, a vítima usasse roupas de mangas compridas e calças para que ninguém visse as marcas. Mas, dois dias depois, por causa dos golpes nos testículos, ele teve um órgão amputado - e o outro ficou comprometido. Após a operação, os médicos informaram que o soldado não poderá mais saltar de paraquedas.

O caso aconteceu há dez meses, mas apenas em fevereiro deste ano o soldado decidiu acionar a Justiça Federal do Rio. A vítima mora na zona norte da cidade e preferiu não ter o nome divulgado

O soldado, que estava na Força havia um ano e meio, entrou em licença médica para recuperação física e psicológica. Segundo o advogado, ele pediu ao comandante para que fosse deslocado para outro grupo, para não ter de conviver com os agressores, mas não foi atendido.

A tortura aconteceu no 27o Batalhão de Infantaria Paraquedista, tropa de elite do Exército Brasileiro. Essa tropa, diferente de outras unidades do Exército pratica diariamente a repressão e a tortura de pessoas, especialmente negros. É uma tropa muito usada na criminosa ocupação do Haiti bem como nas ocupações de morros no Rio de Janeiro.

Os torturadores gozam de privilégios como militares e serão submetidos a um julgamento especial feito por militares, garantindo, como sempre sua impunidade.




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