Sociedade

CONFERENCIA DO CLIMA (COP 21)

Sob a lama da Samarco, Brasil discursa na 21ª Conferência do Clima

segunda-feira 30 de novembro de 2015| Edição do dia

Nesta segunda-feira, 30, em Paris, a presidente Dilma Rousseff discursou na 21ª Conferência do Clima (COP 21) das Nações Unidas.

Após expressar solidariedade às vítimas do terrorismo em Paris e antes de defender a adoção de um acordo global contra as mudanças climáticas que seja "legalmente vinculante" - ou seja, que tenha caráter compulsório para os países signatários - a presidente responsabilizou o fenômeno El Niño pelas “secas no Nordeste, chuvas e inundações no sul e no sudeste do país”, para reforçar que o problema da mudança do clima não é alheio aos brasileiros. Embora tenha deixado de dizer que a solução para esses problemas, pelo contrário, tem passado alheio das preocupações dos governantes e dos empresários que exploram as riquezas no país, desmatam as florestas e poluem os rios e a atmosfera.

Porém, tal omissão fica difícil de manter frente há menos de um mês do maior desastre ambiental na história do Brasil, provocado exatamente pela ganância e descompromisso das empresas ligadas à Samarco e a privatizada Vale do Rio Doce. Classificando como “irresponsável” a ação das empresas que atuam na grande bacia hidrográfica do Rio Doce a presidente disse que o governo já está “reagindo ao desastre com medidas de redução de danos, apoio às populações atingidas, prevenção de novas ocorrências e também punindo severamente os responsáveis por essa tragédia".

A maior reação até agora do governo ao desastre e o maior apoio às populações atingidas foi se pautar na justificativa de que as causas do rompimento foram naturais para utilizar do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores locais como forma de amparo às vítimas. Uma vez que deveriam ser as empresas e seus ricos acionistas os que paguem os brutais danos sociais e ambientais, e não os trabalhadores com seu fundo de garantia, essa medida não parece nem de longe uma punição severa aos donos das empresas, mas sim uma repartição de danos com a população.

Hipocrisia que não é privilégio somente do governo do PT, que segue a onda privatista do governo tucano, responsável pela venda da Vale do Rio Doce a preço de banana. Também são hipócritas os governos dos demais países presentes na COP 21 que representam os interesses das grandes multinacionais de seus países, uma das quais administra a privatizada Vale do Rio Doce e é co-responsável pela tragédia humana e ambiental que se abateu sobre Mariana. A única forma de por fim a ganância, seja dos empresários, seja dos governos que administram seu balcão de negócios, é a estatização sob controle dos trabalhadores e trabalhadoras.




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