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Secretária da educação sugere que professores vão trabalhar de jegue em cidade da Baixada Fluminense

segunda-feira 5 de junho| Edição do dia

No dia 18 de maio, a secretária de Educação, Cultura e Esporte e primeira-dama de Seropédica, na Baixada Fluminense, sugeriu em reunião com diretores das escolas municipais, a absurda ideia de que os professores da rede municipal de ensino alugassem ou comprassem jegues para ir à escola. A recomendação foi feita como alternativa à carona nos ônibus escolares, que só será permitida aos profissionais que desempenharem o papel de monitores nos ônibus.

Em áudio publicado no Jornal Perfil, a secretária afirma: “Eles irão se comprometer com vocês a auxiliar a criança no ônibus. Aquele que não quiser ajudar, não tem problema. Não é obrigado, mas eu também não sou obrigada a dar carona pra ele. Ele vai a pé! Ou então, ele aluga um jegue. Tem um monte de jegue baratinho. Com R$200 você compra um jegue”. Em seguida, afirma que não é problema seu o fato da escola ser longe, já que o professor estava ciente disso quando prestou o concurso e escolheu a unidade onde iria trabalhar.

Professores do município se revoltaram com a declaração. Um deles, que não quis se identificar, declarou: “Ela disse que precisa de pessoas para ajudar no ônibus. Libera carona, mas exige que o professor seja monitor e ajude a tomar conta das crianças para que dispense o monitor e poupe um salário para a prefeitura.”. Esta afirmação deixa evidente que tal medida busca despejar nas costas dos trabalhadores a crise do Estado, sobrecarregando e precarizando o trabalho do professor para pagar as contas da prefeitura.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Seropédica informou que antes seis escolas rurais do município recebiam o benefício de difícil acesso, calculado em 10% sobre o salário. Em junho do ano passado este valor foi reduzido e substituído pelo adicional de acesso, no valor de R$160 para profissionais que trabalham cinco dias na semana e de R$80 para aqueles que trabalham dois dias. Sobre isso, a coordenadora do sindicato, Roseli Novaes, afirmou: “Essas escolas citadas no áudio são de difícil acesso. Apesar dos professores e funcionários receberem essa ajuda de custo, não tem nenhuma linha de ônibus para que os funcionários cheguem ao trabalho.”.

Além disso, o plano de carreira dos professores municipais de Seropédica está em vigor há um ano, mas não é pago. A rede municipal de ensino está em estado de greve e tem o plano de carreira como uma de suas reivindicações. A próxima assembleia da categoria será no dia 21 de junho, em que será realizado também um ato pelo 1 ano da aprovação da lei 621/2016, do plano de cargos e salários, que ainda não entrou em vigor. Em abril, os professores realizaram uma paralisação pelo cumprimento da lei.

Mais uma vez, fica evidente a proposta do Estado em fazer com que os trabalhadores paguem pela crise, através do sucateamento do ensino público e precarização do trabalho, seguindo no município a linha do pacote de maldades do Pezão, governador do Estado do Rio de Janeiro.

Com informações de: Jornal Extra (Globo)




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