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Reuniões de Secretário de Justiça e embaixador russo deixam Trump em situação delicada

O procurador-geral escolhido por Trump, Jeff Sessions, mentiu frente a comissão do Senado sobre duas reuniões que teve com o embaixador russo durante a campanha eleitoral.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

quinta-feira 2 de março de 2017| Edição do dia

Os escândalos abertos pelas investigações da suposta espionagem russa durante a campanha eleitoral não dão descanso para Donald Trump.

Após ter perdido seu assessor de segurança nacional, Michael Flynn, multiplicam-se os rumores e os vazamentos sobre reuniões que membros de sua campanha poderiam ter tido com o Kremlin e diplomatas russos. Na semana passada foi a vez do chefe de Gabinete tentar pressionar o FBI para que negue estas informações. Mas o panorama desta quinta-feira se mostrou muito sombrio para o presidente ao ver noticiado no jornal Washington Post que seu Procurador-Geral, Jeff Sessions, havia mentido aos membros do Senado - que aceitaram sua candidatura - sobre ao menos dois encontros que teve com a diplomacia russa durante a campanha eleitoral. A minoria democrata no Congresso já exigiu sua renúncia, e o capitólio estuda abrir uma investigação sobre o caso.

Os encontros de Sessions

O jornal Washington Post revelou que estas reuniões se tornaram conhecidas através de uma fonte do Departamento de Justiça, organismo liderado pelo próprio Sessions, e que uma porta-voz do Secretário de Justiça confirmou.

Sessions haveria tido dois encontros com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, durante a campanha presidencial, reuniões estas que não mencionou durante o seu processo de confirmação para o cargo de Procurador-Geral dirigido pelo Senado.

Os encontros ocorreram em julho e em setembro, apenas alguns meses antes das eleições de 8 de novembro as quais ganhou o agora presidente Donald Trump. Estas reuniões ocorreram no mesmo período onde uma efusão midiática sobre a interferência do Kremlin nas eleições, através de ataques cibernéticos, tomava conta das discussões políticas.

Sessions era membro do Comitê de Serviços Armados do Senado quando manteve estes encontros e, o agora Procurador-Geral, considerava os contatos com Kislyak e outros embaixadores em Washington parte de seu trabalho como legislador e não como membro da campanha de Trump, do qual era assessor.

No entanto, o The Washington Post contatou outros 25 membros do Comitê de Serviços Armados para questionar se haviam tido reuniões com Kislyak e dos 20 que responderam ao contato todos disseram não.

A mentira diante do Senado

Durante seu processo de confirmação no Senado, os democratas perguntaram para Sessions sobre seus possíveis contatos com o Kremlin, devido a sua suposta intervenção nas eleições, o que ele respondeu: "Não tenho contato com os russos".

A porta-voz de Sessions, Sarah Isgur Flores, disse ao Washington Post que a resposta do Procurador-Geral "não foi um engano" já que lhe haviam perguntado "sobre contato com os russos e a campanha de Trump, não sobre reuniões que manteve como senador".

O senador democrata Al Franken, autor da pergunta, considerou a resposta de Sessions como "um engano no melhor dos casos".

O Departamento de Justiça e o Agência Federal de Investigação (FBI, sigla em inglês), ambos sob supervisão de Sessions, são os organismos encarregados da investigação sobre a suposta interferência russa nas eleições assim como sobre os indícios de contatos entre a campanha de Trump e o Kremlin. Se o escândalo se aprofunda Sessions poderia terminar sendo interrogado pelos próprios agente que estão sob sua direção.

O conflito de interesses que se gesta põe Sessions em uma posição de extrema fragilidade, com a minoria democrata do congresso exigindo sua renúncia e comissões de ambos os partidos solicitando uma investigação mais aprofundada.

Desde que assumiu como presidente não há ao menos uma semana sem que algum dos membros de seu governo se encontrem envolvidos em escândalos relacionados com as suspeitas de ciberataques russos durante a campanha eleitoral. Se a queda de Michael Flynn foi o primeiro grande golpe que recebeu Trump, as pressões para a renúncia de Sessions voltam a colocar o presidente em uma grande instabilidade enquanto as pesquisas o apontam como o presidente mais impopular da história dos EUA.




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