Educação

Ranking global escancara salas lotadas e desvalorização do professor

De acordo com o relatório, as escolas públicas do Brasil têm 22 alunos por professor no primeiro ano do ensino médio.

Sagui

jovem trabalhadora

terça-feira 12 de junho| Edição do dia

O Brasil possui um dos maiores números de alunos por sala de aula no ensino médio entre mais de 60 países analisados no estudo Políticas Eficazes para Professores: Compreensões do PISA, publicado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na Colômbia o número chega a 27 alunos por turma. No México, também membro da organização, o total de estudantes por professor varia entre 17 e 27. Mesmo na China, país mais populoso do mundo, há apenas 12 alunos por professor.

O relatório foi realizado com jovens na faixa de 15 anos, que corresponde ao primeiro ano do ensino médio.

Aquilo que está presente no dia a dia se mostra presente nos dados e ao mesmo tempo os problemas de salas de aula lotadas, jornadas duplas de trabalho, com carga horária excessiva são enfrentadas por muitos professores e provocam desgastes em relação à profissão.

Ataques e efeitos

No começo do ano mais de 30 mil professores do estado de SP "categoria O" ficaram desempregados, pois os contratos de 2014 extinguiram e o Estado de São Paulo não realizou concursos novos. Além disso, como esse ano realizou-se outros fechamentos de salas, também acarretou em desemprego massivo de professores contratados.

“Somente o Estado de São Paulo vem acumulando cerca de 6.290 salas fechadas apenas nesses últimos quatro anos, sem contar ainda com os dados de 2018.”

Os ataques que vinham desde o governo do PT, com um corte na programação orçamentária da educação de R$ 21,2 bilhões em 2016, veem sendo aprofundados após o golpe. Com a Reforma do Ensino Médio e a “PEC do Fim do Mundo” – que irá congelar por vinte anos os investimentos em educação e saúde – a precarização e a influencia ideologia da burguesia na educação irão se aprofundar, sempre em busca de menos pensamento crítico e mais lucros para os grandes empresários da educação.

Todos esses ataques que se aprofundam influenciam diretamente os estudantes e professores. Se, por um lado, existe cada vez mais desanimo e exaustão dos discentes, a nova juventude perde cada vez mais as esperanças e as vontades de estudar.

Os dados de 2015 mostram que 22% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. “No Brasil, 2.802.258 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015. A exclusão escolar afeta principalmente meninos e meninas vindos das camadas mais vulneráveis da população, já privados de outros direitos constitucionais. Do total fora da escola, 53% vivem em domicílios com renda per capita de até ½ salário mínimo.” – trecho retirado do Cenário da exclusão escolar no Brasil, divulgado pela UNICEF.

A precarização e a influencia ideologica dentro da esfera escolar não é uma questão menor, empurra os novos jovens à desesperanças e à margem da sociedade, enquanto as empresas nacionais e internacionais lucram com um ensino publico precário. Seguimos lutando por uma educação pública, gratuita e de qualidade.




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