Economia

DESEMPREGO

Queda no emprego com carteira assinada em setembro é o maior desde 1992

Nesta sexta-feira, o IBGE e o CAGED divulgaram novos dados negativos sobre emprego e renda. As vagas de trabalho com carteira assinada apresentaram queda para todos os setores da economia, também se verificou aumento no número de trabalhadores procurando por emprego e queda nos salários iniciais. São sinais da crise e ao mesmo tempo, efeitos do ajuste fiscal de Dilma e do PT.

sábado 24 de outubro de 2015| Edição do dia

Número de brasileiros a procura de emprego cresce 56,6% em comparação a setembro de 2014

Segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desocupação, ou seja, o número de trabalhadores a procura de emprego, ficou em 7,6% da população (em pesquisa mensal realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), em comparação com o mesmo período de 2014, a taxa passou de 4,9% para 7,6%. A população desocupada (1,9 milhão de pessoas) cresceu 56,6% em relação a setembro de 2014, representando um aumento de 670 mil pessoas em busca de trabalho. A população ocupada foi estimada em 22,7 milhões para o conjunto das seis regiões, menos 420 mil pessoas com emprego, na comparação com setembro de 2014.

Queda no emprego com carteira assinada

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em setembro de 2015, foi estimado em 11,3 milhões no conjunto das seis regiões metropolitanas analisadas, e em relação a agosto, não houve alteração. Frente a setembro do ano passado, houve redução de 409 mil pessoas com carteira assinada (-3,5%), as maiores quedas ocorreram nas regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, não à toa, o PIB do estado de São Paulo por exemplo, apresentou queda de 6,9% para setembro, com destaque para redução na produção industrial e na demanda por serviços.

Dados do CAGED confirmam tendência ao aumento no desemprego

Em setembro deste ano, o número de empregos com carteira assinada reduziu em 95.602 postos de trabalho, uma queda de 0,24% no estoque do emprego. Foi a sexta retração seguida, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) - http://portal.mte.gov.br/index.php/component/content/article?id=1248 - , órgão vinculado ao governo federal. Este é o pior resultado para setembro na série histórica, iniciada em 1992. No ano, são 657.761 vagas com carteira assinada fechadas (-1,6%). Em 12 meses, foram perdidos 1.238.628 empregos (-2,96%) em todo o país, os dados, vão na mesma direção dos números divulgados hoje pelo IBGE.

Todos os setores da economia fecharam vagas de emprego, com destaque para os setores da construção civil, indústria (com destaque para a indústria automobilística) e serviços (comércio que inclusive deve reduzir a ritmo das contratações para o final de ano). A indústria cortou 287.472 vagas formais (-3,5%) e o comércio, 238.482 (-2,53%), no período de janeiro a setembro deste ano. A construção civil, com a queda no mercado imobiliário fruto da recessão econômica, foi percentualmente, o setor com maior queda no emprego com carteira assinada, -6,68%, o correspondente a eliminação de 204.852 postos de trabalho. Apenas, a agricultura, com 106.459 vagas (alta de 6,88%) e administração pública, com 12.375 (1,38%), apresentaram aumento na contratação formal.

Dezenove estados apresentaram redução no emprego formal em setembro. Os destaques foram São Paulo (menos 45.869) e Minas Gerais (menos 32.423) – regiões com peso econômico importante da indústria e serviço, setores mais atingidos pelas demissões. Entre as que abriram vagas, estão Pernambuco (15.248) e Alagoas (11.207), ambas regiões com destaque para os empregos no setor agrícola.

Salários em queda

Também no acumulado do ano, os salários médios reais de admissão tiveram queda de 1,26% em relação a igual período de 2014, caindo para R$ 1.268,27. O dos homens caiu 1,84%, enquanto o das mulheres ficou praticamente estável, com variação de 0,02%, porém é importante destacar que a média salarial das mulheres é inferior à dos homens.

Os dados apontam que os salários iniciais estão ficando cada vez menores, salários estes que estão muito longe de bater o mínimo do DIEESE ( e ainda ficam cada vez menores com o aumento dos preços), que já ultrapassa cerca de R$ 3.200,00, veja mais aqui. As demissões se generalizaram nos setores que mais empregam que são a indústria e os serviços (dentre eles a construção civil), ou seja, o PPE de Dilma mostra sua verdadeira cara: mais uma vez, como um “programa de proteção” aos lucros dos empresários diante da queda nas vendas e na produção, e não ao emprego, como defende de forma falaciosa o discurso da burocracia sindical da CUT.

A luta pelo direito ao emprego é contra Dilma, o PT e a burocracia sindical

O ajuste fiscal está cobrando seu preço apenas para os trabalhadores que estão vendo seus salários encolherem com a inflação os aumentos nos impostos e tarifas, com a queda nos salários e a precarização do trabalho, além da dificuldade cada vez maior em arranjar emprego. Enquanto isso, os patrões continuam demitindo com o apoio do governo, que cortou o acesso ao seguro desemprego e que agora, pode atacar o direito à aposentadoria, como discutimos aqui.

Para uma luta efetiva para que os trabalhadores não paguem pela crise, em todo país, é preciso construirmos um polo independente que seja contra Dilma, Lula e o PT, e que desmascare o burocracia sindical que defende os ajustes e ao mesmo tempo, apresente um programa que seja também contra a oposição de direita. É preciso colocar de pé uma terceira força política, uma alternativa política dos trabalhadores a partir das bases e de cada luta, porém, um limite para isso é a lógica de atuação do PSOL e o MTST, que estão numa frente com a burocracia sindical que apoia os ajustes de Dilma e Levy.




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