Economia

CRISE ECONÔMICA

Queda no consumo de alimentos e roupas em 12 meses é a mais alta desde 2003

Queda no consumo de bens semi e não duráveis (alimentos e roupas), vem pra reafirmar a crise que a população sofre.

sábado 3 de outubro de 2015| Edição do dia

O crédito escasso e mais caro, o aumento do desemprego, a incerteza com o futuro da economia e da política e a queda na renda das famílias, com uma inflação de 9%, têm afetado cada vez mais a produção dos bens de consumo semi e não duráveis, mais sensíveis as variações na renda (salários) dos brasileiros por incluírem bens essenciais. Em 12 meses até agosto, esta categoria de produtos acumula queda de 4,8% na produção, a maior da série histórica, iniciada em dezembro de 2003, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Com o mercado de trabalho se comportando de maneira menos favorável do que foi no passado e a inflação mais alta, tudo isso tem reflexo mais direto sobre a renda das famílias. É claro que esses segmentos mais ligados à renda vão mostrar também um desempenho negativo", disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Os bens de consumo semi e não duráveis incluem desde alimentos até itens de vestuário e calçados. Como eles são tidos como mais essenciais às famílias, a queda na produção demorou mais tempo para ocorrer. Agora, porém, o sinal negativo aponta que até mesmo para esses segmentos que estão em dificuldades e já começas a descarregar o custo desta crise nos trabalhadores, com demissões e fechamentos de fábricas neste setor ( frigoríficos -abate de carnes e produção calçadista).

Só os calçados, por exemplo, tiveram queda de 6,4% entre maio e agosto deste ano ante igual período do ano passado. No primeiro quadrimestre, a retração era de 2,6%. O abate de animais, principalmente bovinos, também apresentou forte queda, de 11,0% no segundo quadrimestre do ano, intensificando o ritmo do recuo, que foi de 7,0% nos primeiros quatro meses de 2015 (sempre na comparação com igual período de 2014).

A incerteza do consumidor se liga diretamente com o cenário político-econômico em que se vive. Numa conjuntura de crise econômica e política, com ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude, o consumidor comum fica receoso quanto ao momento de comprar produtos, mesmo que básicos, como alimentos e vestuário.

A queda no consumo de semi e não duráveis reafirma que a crise está afetando amplas camadas da população, uma vez que não apenas o consumo de bens duráveis, em geral, mais restritos ao consumo. Mas também, é um sinal de aprofundamento da crise econômica no país, que pode levar a uma queda ainda maior no PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas pelo país) este ano.

A queda no consumo de mercadorias essenciais da vida cotidiana de qualquer trabalhador ou jovem, como gêneros alimentícios básicos, vestimenta, etc. Um sinal de que a população está repensando suas compras de forma a adequá-las à nova realidade do orçamento familiar, esta é uma forma dos capitalistas e dos governos rebaixarem o nível de vida da população, principalmente dos mais pobres, é uma comprovação de que os custos da crise já estão sendo pagos pelos trabalhadores.

ESQUERDA DIÁRIO/ Agência Estado.




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