Internacional

VIOLÊNCIA POLICIAL

Professora é algemada e presa nos EUA após contestar plano de salários

Deyshia Hargrave foi presa por questionar plano de salários e as contratações de sua escola.

quarta-feira 10 de janeiro| Edição do dia

Com a presença de um policial na reunião de conselho a diretoria silenciou críticas de forma brutal com a prisão arbitrária da professora Deyshia Hargrave mostrando a face do projeto internacional de precarização do ensino e a polícia como braço armado para a defesa do mesmo.

É comum vermos notícias dos abusos de autoridade da polícia nos EUA, mas o episódio em questão mostra muito mais do que apenas uma prisão infundada e é, sobretudo, um ato político claro da burguesia: inviabilizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho e colocar a conta da crise mundial nas costas dos trabalhadores pela força.

Alegando que a professora estava desrespeitando a ordem da reunião ao colocar os questionamentos fora do momento adequado, o diretor continuou sua fala no conselho ignorando-os. Quando o debate se abriu novamente para as perguntas ou críticas Deyshia se levantou indagando a questão dos salários e contratações e logo foi repreendida pelo policial que a mandou se retirar da reunião interrompendo totalmente algo que deveria ser democrático em um espaço que prega a pluralidade de idéias.

Como mostra o vídeo abaixo jamais houve qualquer tipo de ação agressiva partindo da docente que seguiu exatamente todas as ordens impostas, mas justo quando a câmera perde os dois gritos são ouvidos no corredor e segundos depois o policial está mantendo ela no chão e, de forma truculenta e desproporcional, colocando algemas sem sequer dar voz de prisão ou explicar o motivo no local. Deyshia deixa claro a todo instante que não está resistindo e pede calma ao policial explicando que é consideravelmente menor do que ele.

A alegação de resistência ao oficial para justificar a prisão e a declaração do superintendente de que não prestará queixas contra ela evindencia ainda mais o real motivo: implementar medidas salariais que só interessam para a manutenção das taxas de lucro dos capitalistas e eliminar qualquer tipo de ameaça ao projeto mesmo sem ter um motivo plausível.

Podemos ver que não é apenas no Brasil, com projetos de lei do tipo Escola sem Partido e as demissões em massa por conta da reforma trabalhista, que o projeto neoliberal iniciado nos anos 90 pelo FMI e o Banco Mundial para a educação avançam.

Dentro do capitalismo é medida constante desmontar a capacidade crítica do ambiente escolar transformando-o em mera correia de transmissão da ideologia burguesa facilitando a manutenção da hegemonia na sociedade civil, uma escola que não possibilite a capacidade de reflexão sobre a realidade não disputa a consciência.

É nosso dever combater estes desmandos e denuncia-los no mundo todo.

Assista à baixo o vídeo da abordagem policial:




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