Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Professora Sofre Tentativa de Estupro em Marília Durante Intervalo das Aulas da Manhã

Professora sai da escola no horário de intervalo das aulas da manhã para fumar um cigarro e sofre uma tentativa de estupro em frente a escola na Zona Norte de Marília-SP

sábado 12 de setembro de 2015| Edição do dia

No dia 08 de setembro, uma professora que trabalha na Zona Norte de Marília sofreu uma tentativa de estupro em frente a escola. Ela, que prefere não se identificar, nem identificar a escola por questões de segurança, procurou a Equipe do Esquerda Diário Marília para que denunciássemos o caso, no sentido de levantar a discussão e o combate à uma realidade de opressão que infelizmente no capitalismo atinge inúmeras mulheres todos os dias.

Ela estava trabalhando naquela manhã e durante o intervalo saiu para fumar um cigarro na parte de fora da escola como de costume. Enquanto fumava percebeu que estava sendo observada por um homem e quando menos esperava este se aproximou. Ela tentou recuar, mas ele à agarrou e à empurrou contra a parede mantendo-a presa enquanto tirava a calça. “Eu gritei por socorro e tentava me esquivar, desesperada, sem saber se ele tinha alguma arma. Ele tentou tampar a minha boca e dizia para eu parar”. Com medo de que alguém escutasse os gritos, o homem resolveu fugir, mas antes disso roubou seu celular.

Sem condições de continuar trabalhando a professora foi até a delegacia fazer um Boletim de Ocorrência, onde encontrou resistência por parte do delegado para registrar a tentativa de estupro, pois este insistia para que fosse registrado apenas o roubo do celular. Ela precisou insistir para conseguir fazer o BO da tentativa de estupro, se desgastando emocionalmente. Além disso, de maneira absurda a escola ameaçou deixá-la com falta nas aulas após o intervalo, no período em que ela fazia o Boletim de Ocorrência.

Infelizmente o caso ocorrido com essa professora faz parte do cotidiano de nós mulheres, que vivemos com medo de sofrer algum tipo de violência sexual, levando muitas inclusive, a se privarem de sair sozinha de noite ou usar determinadas roupas, para evitar esse tipo violência - o que até o fim não nos protege porque somos vitimas de estupros e violência sexual independente da roupa que usamos ou do lugar em que estamos indo. Esse caso não é uma exceção, e acontece com a legitimidade do Estado, que não cumpre o papel nem de educar para que ações como essa não aconteça, nem de punir devidamente os agressores, muitas vezes inclusive culpabilizando a vitima. Nas escolas – que é um dos espaços onde mais reproduz as opressões – não existe nenhuma política de combate ao machismo e à cultura do estupro. Ao contrário disso, existem regras que corroboram com a cultura machista na qual somos educados. Um exemplo é uma regra que existe na maior parte das escolas que proíbe as meninas de usar roupas curtas ou que de alguma forma seja considerada indecente. Essa regra nos educa para acreditar que é natural que os homens sintam desejo e expresse esse desejo independente do consentimento da mulher e que a mulher é quem deve se proteger caso não queira ser agredida, culpabilizando novamente a vitima pela agressão que sofre. Não há nenhuma medida para educar os meninos para compreender que o corpo é da mulher, que este não é um objeto e que ele não pode toca-lo sem que haja o consentimento por parte dela.

Não existe nenhum projeto de educação no sentindo de combater as opressões, e no Plano Nacional de Educação foi retirada a discussão de gênero e sexualidade nas escolas, proposta que veio da ala mais conservadora do congresso nacional, mas com o consentimento da Dilma e do PT.
As jovens e os jovens têm sua sexualidade educada principalmente pelas revistas e filmes pornográficos, que ensinam que a mulher deve se submeter aos desejos do homem, colocando-a num papel de submissão em relação à dominação do homem. Ao invés das escolas terem um diálogo aberto sobre sexo com as estudantes e os estudantes, discutindo prevenção e ensinando as meninas a serem sujeitas de sua sexualidade e os meninos a respeitar as mulheres, o Estado conscientemente se isenta desse debate não dando formação para que as professoras e os professores discutam o tema, ao mesmo tempo que retira essa discussão do Plano Nacional de Educação.

Sobre o caso, a professora da rede Bruna Motta - militante do Pão e Rosas e Professores Pela Base - disse que "O agressor que violentou a professora em uma tentativa de estuprá-la deve ser devidamente punido, e a escola e a APEOESP devem garantir toda a assistência necessária a ela. Nós, das agrupações Pão e Rosas e Professores Pela Base, manifestamos toda nossa solidariedade a essa professora e nos colocamos ao seu lado no combate ao machismo, à cultura do estupro e a condição de exploração que garante que essa cultura continue existindo". E continuou: "Vale marcar que a direção da APEOESP não tem nenhuma atuação efetiva no combate às opressões cotidianas que sofrem as professoras. Diante disso desde o fim da greve estamos articulando junto às professoras do comando de greve a construção de uma Comissão de Mulheres da APEOESP que seja organizada pela base da categoria e sirva para promover debates, impulsionar campanhas e ser um espaço de auto-organização das professoras no combate à todas as formas de Opressão". E concluiu a fala fazendo um chamado: " Convidamos Todas as Professoras para a primeira reunião da Comissão que ocorrerá na Quarta-Feira(16/09) às 19hs na APEOESP Marília. Não podemos nos calar! Mexeu com uma, mexeu com todas!!!"




Tópicos relacionados

Marília   /    Mulher   /    Violência contra a Mulher   /    Marília   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar