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EECUN 2016

Primeiro dia: Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros

sábado 14 de maio de 2016| Edição do dia

Reunindo cerca de 700 negras e negros no auditório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em seu primeiro dia, o EECUN inicia com a negada a todo vapor para debater sobre o racismo na sociedade brasileira. O encontro se iniciou com um vídeo com os depoimentos de familiares e amigos de estudantes vítimas do Racismo na academia, logo após houve uma Mesa Solene como tema “Fortalecer para Permanecer: Uma permanência estudantil para muito além de moradia e alimentação”, em que participaram Lumena Aleluia, Psicóloga especializada em Gênero e Sexualidades, Dra. Giovana Xavier, Professora Adjunta de Prática de Ensino de História na Faculdade de Educação da UFRJ, Thiago Thobias, graduado em Direito e mestrando em Gestão de Políticas Públicas e Roberto Leher, Doutor em educação e atual Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Mesa mais aguardada foi a última mesa do dia, “Racismo, universidade e sociedade: Um balanço sobre os desafios do movimento negro brasileiro”, em que estavam presentes Hélio Santos: Mestre em Finanças e Doutor em Administração, Marize Conceição, Mestra em Educação e Diversidades Étnico-Raciais, Hamilton Borges, membro da Ação Cultural Comunitária Quilombo Xis; Associação de Familiares e Amigos de Prisioneiros e Prisioneiras do Estado da Bahia e principal liderança e articulador da campanha “Reaja ou Será Morta/o” e Frei David, frade franciscano e fundador do projeto Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), uma rede de cursinhos pré-vestibulares comunitários, presente em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e São Paulo.

Nesta última mesa, a professora Marize falou da perseguição dos movimentos negros na ditadura e algumas lideranças do movimento negro nesse período, uma expressão do racismo velado na sociedade brasileira, e seus desdobramentos, assuntos que foram objetos de sua pesquisa de mestrado. O próximo a falar foi Frei David, que explicou como ele e a sua organização, a EDUCAFRO, se colocaram na luta contra o racismo e como para ter suas pautas atendidas junto ao MEC após a mesma ter sido reprovada algumas vezes, rebaixaram muito o programa de reivindicações dos negros para que a mesma fosse aceita, o que coloca em cheque essa estratégia de “negociatas” com os setores reacionários da burguesia, que jamais irão oferecer algo que vá contra sua dominação de classe.

O professor Hélio dos Santos partiu de falar que no dia 13 completavam 128 anos da assinatura da Abolição da Escravatura, mas que a mesma segue existindo nas favelas do RJ, e qual o papel das ações afirmativas em efetivar os direitos dos negros e como resultado da luta do movimento negro. Além disso pontuou que a universidade pública é a única dos serviços públicos que as elites ainda utilizam, criticando o Governo Temer, o MBL, que faz acordo comas bancadas BBB (Bala, Boi, Bíblia), ainda estão os setores mais reacionários do congresso, deixando no final a pergunta: “o que movimento negro deve fazer hoje para garantir a equidade social no Brasil?”, uma vez que mesmo com o protagonismo dos negros nas lutas sociais no Brasil, principalmente após junho 2013, o movimento negro organizado não se colocou como sujeito em movimento. O fechamento da mesa ficou a cargo do Hamilton Borges, que começou colocando que faz parte do movimento Pan-Africanista, que segue a linha do Marcus Garvey, e que a conjuntura aponta hoje para um refluxo na organização do movimento negro, uma vez que ele havia feito parte do MNU (movimento negro unificado), um dos maiores movimentos sociais negros do país. Tocou também na questão da violência policial e da luta contra o genocídio, principal foco do REAJA, combate este que para se efetivar necessita de um projeto político para o povo negro, que vá para além das eleições, como sera demonstrado na campanhama que entrará em vigor este ano: NÃO VOTE, REAJA. Para ele, tão importante quanto permanecer na universidade, aonde deveríamos permanecer pretas e pretos, era criar os problemas para a burguesia.

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*Este texto passou por errata a pedido de Hamilton Borges, sobre sua não fundação do MNU, do qual apenas participou e da não criação de um partido negro no Brasil.




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