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PALESTINA

Por que apoiar a luta dos palestinos é imprescindível

Novamente as páginas dos jornais estão tomadas pela tensão entre os palestinos e os israelenses. A grande mídia internacional rapidamente trata de se alinhar, alguns de maneira mais velada, outros escancaradamente, com as posições defendidas pelo Estado de Israel. Clamam a que os palestinos “deixem a violência de lado”, e reconheçam o “direito dos israelenses a se defenderem”. A questão é que esse posicionamento é frequentemente desmentido pelos fatos.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

quinta-feira 15 de outubro de 2015| Edição do dia

O que jamais se discute nessas notas propagadas pela grande mídia, é que a raiz dos conflitos que ali ocorrem estão intimamente ligados com a própria origem do Estado sionista de Israel. O Estado de Israel foi fundado em 1948 numa resolução adotada pela ONU teve desde o início uma política colonialista em relação ao povo palestino, que fora despojado de suas terras.

Antecedentes de um conflito criado pelo imperialismo

Anteriormente à sua criação, o povo judeu vivia espalhado por diversos países da Europa. Inclusive no Oriente Médio, a Palestina, onde durante diversos séculos conviveram pacificamente com os árabes. Em 1917 conviviam nos 26 mil km2 da Palestina, conviviam cerca de um milhão de palestinos e cem mil judeus. Naquele momento, a Palestina era controlada pela Grã-Bretanha, que já em 1921 tentou dividir o território deixando 80% para os árabes, e 20% para os judeus.

Os sionistas, isto é, aqueles setores da burguesia judia que tinham como projeto criar um Estado judeu, eram minoria. Inclusive diversos dirigentes revolucionários, como Rosa Luxemburgo, Leon Trotsky, tinham origem judia, e eram internacionalistas, isso é, lutavam pelos interesses de todos os trabalhadores do mundo. A ideia de um Estado puramente judeu não era hegemônica.

Desde o início o movimento sionista teve ligado ao imperialismo e aos setores mais altos da classe burguesa judia. Teodor Herzl, um dos fundadores dessa corrente, não hesitou em firmar pactos com personagens antissemitas confessos. Um exemplo foram os membros do governo czarista russo que prometeram no início do século XX financiar uma caravana em direção à Palestina sob a condição de que os sionistas convencessem os judeus a abandonar os partidos operários e socialistas na Rússia, e a sua luta contra o governo.

Mas foi após a Segunda Guerra Mundial que o movimento sionista obteve com o apoio do imperialismo norte-americano e das demais potências o aval para criar um Estado judeu. O imperialismo norte-americano utilizou-se da justa aspiração do povo judeu de viver em segurança após mais de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas, para dar uma saída reacionária a essa demanda. Criaram o Estado de Israel para ter um aliado no interior Oriente Médio.

Então o que fazer com os palestinos que viviam no território que seria o Estado de Israel? A resposta do imperialismo e da burguesia sionista foi: expulsar. Portanto, o Estado sionista formou-se em base à ocupação colonial, dando início à escalada de expulsão e repressão dos palestinos. Utilizando-se do horror gerado pela política de extermínio dos judeus na Segunda Guerra Mundial, o imperialismo cria no Oriente Médio o enclave que hoje conhecemos como Israel. Desse modo, o imperialismo resolveu a questão da aspiração judaica à “sua maneira”: de minoria oprimida a transformou em uma maioria opressora na Palestina, responsável pela expropriação das terras, dezenas de milhares de presos políticos, milhões de palestinos exilados e incontáveis mortos.

Acordos de paz que servem a quem?

Logo após a fundação do Estado de Israel se dá a guerra de 1948-1949 que foi vencida pelos israelenses, que ampliaram o seu domínio por uma área de 20 mil km² (75% da superfície da Palestina). Isso provocou o deslocamento de aproximadamente 900 mil palestinos, que deixaram as áreas incorporadas por Israel. Esse imenso contingente de refugiados permaneceu disperso pelos campos do Oriente Médio.Hoje existem cerca de 8 milhões de palestinos que vivem como refugiados, e não podem voltar para suas casas.

Desde então a política do imperialismo foi combinar a conivência com os ataques de Israel contra o povo palestino, com os diversos “acordos de paz”. No entanto, essa paz sempre se articulava em base ao despojo dos palestinos. Um exemplo foi o Acordo de Oslo de 1993, comandado pelos EUA entre o líder palestino Iasser Arafat, do Fatah e Itzjak Rabin da parte de Israel.

Esse acordo criou a atual Autoridade Nacional Palestina, que é um governo em um território em cerca de um terço da Palestina histórica, e manteve fora de questão o direito de retorno dos refugiados, e outras demandas como a capital em Jerusalém oriental. Foi parte da capitulação do então líder palestino Iasser Arafat, que seguirá depois no Acordo para a Paz no Oriente Médio em Camp David, em 2000, que foi fracassado, e que selaria de vez o abandono à demanda pelo fim do Estado de Israel.
Frente à nova explosão de tensões entre o Estado de Israel e os palestinos, rapidamente há um clamor por parte dos organismos internacionais para que se “refaçam os acordos de paz”. Porém, tais acordos favorecem sempre a mesma e única parte: o Estado sionista de Israel.

Qual a saída de fundo

A resistência dos palestinos se fez sentir nas Intifadas, nome dado aos levantes populares contra a ocupação israelense, nos anos de 1987 e 2000. O grande temor de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é que uma nova Intifada se dê com a escalada dos conflitos ocorridos na última semana, que já contam com mais de 1300 feridos e 30 mortos palestinos. Portanto, já autorizou a escalada repressiva de Israel, declarando que autoriza a instalação de postos de controle nos bairros árabes de Jerusalém, e o toque de recolher.

Para além de como evoluirá esse conflito, que discutimos aqui e aqui o que se ressalta é que não pode haver paz, enquanto seguir existindo o Estado sionista de Israel. Mesmo com a colaboração das direções palestinas, como o Fatah de Mahmoud Abbas, que agora mediante a revolta da juventude e à queda da popularidade de seu governo busca discursivamente dizer que apoia as manifestações, ano após ano demonstra-se que os conflitos são impossíveis de cessarem.

É somente destruindo as bases do Estado sionista de Israel, como um Estado racista, que segrega os árabes que se poderá ter uma solução de fundo. Isso não significa levar adiante uma política antissemita de extermínio dos judeus, como os sionistas sempre buscam colocar quando há qualquer crítica à sua política colonialista. Mas avançar na perspectiva de instaurar uma Palestina operária e socialista, que garanta o direito de retorno de todos os refugiados, e onde possam conviver em paz palestinos e israelenses, como era anteriormente.




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