Sociedade

Por água poluída, Cedae oferece indenização vergonhosa de R$ 1,25 por consumidor

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, bebe água em visita à estação do Guandu na quinta 23 Tomaz Silva/Agência Brasil

sexta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

Após 30 dias de distribuição de água turva e com presença de geosmina aos moradores do Rio, a Cedae decidiu oferecer uma absurda indenização de R$ 1,25 por consumidor. A decisão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, que vem sendo privatizada desde a gestão do antigo governador Pezão e segue com Witzel, gerou revolta entre os moradores da cidade.

A aposentada Ilma Rodrigues, de 60 anos, moradora do Cachambi, na Zona Norte contou, em reportagem original do EXTRA, que vem sentindo um cheiro forte ruim na água de sua casa há quase dois meses e que sua irmã em tratamento de leucemia não pode comer alimentos cru então precisam muito da água. “Como é que a gente vai viver assim? É muito triste, muito triste mesmo. Eu acho que nunca mais vou beber água do Guandu.”

Nas redes sociais a indignação dos moradores do Rio repercute. Sobre o ínfimo valor da indenização concedida pela empresa uma moradora comenta via Facebook "R$1? Não se compra nem um galão de água! Consumidores, guardem seus recibos todos!"

Moradora de Paciência, Jaqueline Leocadio mostra um copo com água limpa e outro com a água turva e suja - Gilvan de Souza Um pedido de indenização coletivo para 9 milhões de pessoas afetadas pelo descaso, negligência e reflexos da privatização da Cedae, foi feito pela Defensoria Pública e o Ministério Público e corre na justiça.

A Cedae terá que dar o desconto mensal de no mínimo 70% do valor correspondente ao consumo de água, com valor mínimo que deve ficar R$ 62, em média, sendo revertido na conta de cada um dos consumidores; e de mínimo de R$ 54 milhões em casos de dano material individual. Caso descumpra o acordo a Cedae precisará pagar multa diária de R$ 1 milhão. Essas medidas ocorreram devido a ação da Defensoria Pública e do MPRJ.

A empresa se posicionou em nota, dizendo nunca ter se oposto a negociação e que foi até seus limites financeiros e legais para o ressarcimento da população. Quanto à ação protocolada pela Defensoria Pública, a companhia disse que se manifestará dentro dos prazos legais.

A proposta da Cedae é vergonhosa como disse a moradora Ilma Rodrigues, que sofre com o descaso e o aprofundamento das privatizações nos serviços públicos como o caso da Cedae. Com a privatização os preços aumentam e a qualidade diminui. A privatização prioriza o lucro em detrimento da qualidade e acaba transformando nossos direitos em mercadorias.

A Cedae é do povo, diziam os trabalhadores da estatal que entraram em forte greve contra a privatização que a gestão Pezão iniciou em 2017. Acesso à água e saneamento de qualidade como saúde e educação são direitos e não mercadorias. Essas empresas deveriam ser totalmente estatais e controladas pelos trabalhadores e não servir para encher os bolsos dos grandes empresários e capitalistas enquanto cerca de meio milhão de moradores bebem água poluída.




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