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AUMENTO PASSAGEM BH

Passagem de ônibus sobe em BH e na região metropolitana e haverá manifestação

No último domingo (3) o prefeito Márcio Lacerda aumentou o preço das passagens de ônibus na cidade de Belo Horizonte e o novo preço das linhas principais na capital é de R$3,70. Na região metropolitana, por ordem do governador Fernando Pimentel (PT), o aumento foi de 12,89%, em média. O Movimento Passe Livre – BH chamou manifestação contra o aumento para sexta-feira (8).

Francisco Marques

Professor da rede estadual de Minas Gerais

terça-feira 5 de janeiro de 2016| Edição do dia

O prefeito Márcio Lacerda (PSB) decretou neste domingo (3) novo aumento nas passagens de ônibus, que se soma ao de 31 de julho de 2015 e mantém Belo Horizonte como a 3ª capital com a tarifa mais alta do país, atrás de São Paulo e “empatada” com Rio de Janeiro. O governador Fernando Pimentel (PT) também publicou no Diário Oficial de Minas Gerais aumento médio de 12,89% nas passagens dos ônibus metropolitanos.

O aumento de agosto do ano passado na capital chegou a cair uma vez, após manifestações, repressão e indignação popular, mas o judiciário aceitou a liminar da prefeitura e a passagem voltou a subir em meados de outubro. O promotor de justiça Eduardo Nepomuceno, do Ministério Público de Minas Gerais, e o movimento Tarifa Zero já anunciaram que entrarão na justiça com nova liminar para anular o reajuste de agosto de 2015, considerado ilegal. Com este novo reajuste são dois em um ano, somando 19,35% de aumento, muito acima da inflação de 10,97% medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Já nos metropolitanos foi o governo do estado que atendeu o pedido dos empresários aumentando também acima da inflação o valor das passagens: 12,89%. O preço das linhas principais chegou a R$4,45 e para algumas cidades da Região Metropolitana de BH atingiu R$5,10, R$5,75 e até R$7,00.

É claro como vem dando frutos a estratégia dos empresários do transporte, que investem milhões nas campanhas eleitorais dos políticos e colhem os frutos nos anos seguintes. Pimentel inclusive é investigado pela Polícia Federal desde 2015 por suspeita de caixa 2 para campanha eleitoral. A empresa controlada pelo petista e por seu assessor Otílio Prado, a OPR Consultoria Imobiliária, recebeu do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) 1,1 milhão de reais. Márcio Lacerda também é fiel defensor dos empresários; ele e seu partido (PSB) receberam mais de R$6 milhões para a campanha eleitoral das construturas que construíram o MOVE, e o prefeito deu diversas declarações defendendo o aumento que até a justiça considerou ilegal como “absolutamente justo”.

O Movimento Passe Livre – BH (MPL-BH) chamou manifestação para sexta-feira, dia 8, às 18:00 na Praça Sete. Esta manifestação deve servir para iniciar a luta contra o aumento. No ano passado ficou claro como é possível derrotar os empresários e governos com luta e mobilização. A juventude enfrentou a repressão da PM de Pimentel, reviveu “ares de junho de 2013” com 3000 pessoas nas ruas e conseguiu abaixar o preço da passagem, após uma longa luta dirigida pelo Tarifa Zero e pelo MPL-BH, e da qual participaram outras organizações como a ANEL e a Juventude às Ruas. Os secundaristas de São Paulo mostraram claramente como a revolta de junho de 2013 vive e como ela pode se expressar organizadamente, com comandos de mobilização organizados por local de estudo, derrotando o “invencível” Geraldo Alckmin ou qualquer outro governo.

É preciso construir uma grande luta contra o aumento das passagens, partindo de não confiar nos governos corruptos e amigos dos empresários. A “luta de liminares” sobre as quais a população não tem nenhum controle mostra como a justiça está também do lado das empresas, e o máximo que faz o Ministério Público é questionar os aumentos gritantemente ilegais, sem denunciar o absurdo dos lucros “legais” e exorbitantes das empresas sobre um serviço péssimo. Somente a juventude em luta e em diálogo constante com a população trabalhadora que sofre cotidianamente nessas “latas de sardinha” pode barrar mais esse aumento. Esse aumento é parte dos ajustes que os governos federal, estaduais e municipais vêm fazendo para que a desaceleração econômica do país em meio à crise capitalista mundial seja paga pelos trabalhadores, pela juventude e todo o povo, sem redução dos lucros milionários de empresários e banqueiros.

Podemos e devemos questionar isso e ir muito além, para realmente resolver o problema do caos dos transportes: junto com os trabalhadores temos que lutar pra tirar o transporte das mãos dos empresários e dos políticos corruptos, pra acabar com esses aumentos arbitrários e garantir transporte verdadeiramente público, de qualidade e para todos. Isso só será possível estatizando as empresas sob controle dos trabalhadores e dos usuários.




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