Política

RIO DE JANEIRO

Para as favelas, Witzel leva tiroteio no lugar de água potável e testes do coronavírus

sexta-feira 3 de abril| Edição do dia

Witzel impôs a quarentena no Estado do rio de Janeiro, porém há algo que segue funcionando como sempre funcionou no seu governo: a repressão aos pobres a aos negros nas favelas junto com a falta de serviços básicos para este setor da população carioca e fluminense. É desta maneira que nesta sexta-feira, a Polícia de Witzel realiza operações desde o início da manhã em diversas comunidades.

Em Bangu, a operação do 14° BPM teve tiroteio e deixou um ferido na Vila Aliança, aonde também houve barricadas nas entradas com 2 caminhões da Comlurb. Na Cidade de Deus, aonde houve o primeiro contágio do covid-19 reconhecido pelo Estado em uma favela, o 18°BPM também realizou operação.

Em São Carlos, entre o Estácio e o Catumbi, foi o 4°BPM quem agiu. Na Zona Norte, em Irajá, a operação é realizada pelo 41°BPM, na favela de Acari no Complexo do Chapadão. No Alemão, são homens da Coordenadoria de Polícia Pacificadora no Morro do Adeus. Até o momento, Witzel não informou se houveram apreensões, e qual foi o resultado das operações. Mas provavelmente irá pronunciar, em mais um de seus rompantes contra os pobres e os negros, em seu discurso de criminalização das favelas e em defesa das brutalidades policiais. Tais operações foram antecipadas por outra ocorrida no Morro do Dendê, no dia 28 de março, operação supostamente o governo do estado teria realizado contra os bailes funk.

Tal narrativa que recorre à repressão dos bailes funk é usada para justificar uma política que militariza os morros e as favelas enquanto não oferece sequer água potável. Witzel é responsável por existirem 140 localidades com falta de água no Rio de Janeiro. Responsável por utilizar a CEDAE politicamente, demitindo especialistas e colocando um indicado de Pastor Everaldo, que se demitiu após o escândalo da água podre.

Leia aqui: 8 medidas de urgência para combater o coronavírus nas favelas e periferias

Witzel também é responsável pela manutenção de uma política que por décadas destinou repressão para a favela, no lugar de atendimento básico de saúde, investimento nas escolas, no SUS, em geração de emprego e moradia. Esta política representa o lucro do capital, que hoje quer demitir quem fizer quarentena, ou não pagar os salários de quem escolher prezar pela sua saúde.

Só mesmo a classe trabalhadora unificada, tomando conta dos meios de produção, é que pode dar uma resposta para essa crise sanitária e social, que não seja a resposta de milhares de demitidos como já começou à ser com a MP de Bolsonaro e com as reformas trabalhistas que houveram nesta e nas gestões anteriores. Os patrões podem tudo. Witzel fala "alto" contra Bolsonaro, mas é manso com os patrões, tanto é que é incapaz de propôr uma lei que proibindo qualquer demissão e proibindo a retenção de salários no Estado do Rio de Janeiro. Pelo contrário, Witzel já se prepara para não pagar professores e servidores, ao reter metade do décimo terceiro que seria pago agora.

Somente taxando as grandes fortunas para financiar respiradores, testes, pesquisas sobre o coronavírus, e além disso, estatizando leitos de UTI privados e expropriando imóveis desocupados para que a favela possa fazer quarentena é que é possível ter uma resposta que não sejam milhares de mortos pelo covid-19 no Rio de Janeiro. Esta resposta só pode ser dada pelos trabalhadores se unindo e assumindo o controle da produção, definindo o que é essencial e o que não é e tomando as medidas necessárias para combater esta crise sanitária e social.

Leia mais: A saída é a unidade da classe trabalhadora que, como mostrou a pandemia, é quem move o mundo




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