RIO 2016

Para a educação e salários falta dinheiro, para as Olímpiadas não

sexta-feira 24 de abril de 2015| Edição do dia

O orçamento do Plano de Políticas Públicas dos Jogos Olímpicos de 2016 aumentou entre abril do ano passado e abril deste ano, atingindo valor de R$ 24,6 bilhões, admitiu nesta sexta-feira o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes do PMDB (mesmo partido do vice-presidente Michel Temer e dos poderosos presidentes da Câmara Eduardo Cunha e do Senado, Renan Calheiros).

O prefeito carioca, um ex-tucano que foi subprefeito de César Maia, é um dos principais interlocutores do ex-presidente Lula dentro do PMDB. Há vozes no PMDB que querem que ele seja o candidato presidencial da sigla em 2018. O prefeito apoiado pelo PT, que tem o vice-prefeito e diversas secretarias.

Sua gestão do municípios tem sido marcada por profundas alterações em diversas regiões da cidade que vários urbanistas denunciam como elitistas, ao deslocar moradores a regiões distantes. Estas obras são justificadas por motivos olímpicos ou de supostas melhorias em mobilidade.

Em um orçamento que frequentemente é mencionado como limitado para ceder aumentos a categorias municipais como professores ou garis, não faltam recursos para estas obras.

Ao todo, o orçamento multibilionário engloba 27 projetos de mobilidade, transformação urbana e outros estimulados pelo evento, que um ano atrás eram estimados em R$ 24,1 bilhões, ou seja, R$ 500 milhões a menos do que o atualizado hoje.

De acordo com Paes, que participou de entrevista coletiva com presidente interino da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso, o aumento se deve a inclusão nos últimos meses do valor de obras já previstas, mas que cuja concessão não tinha sido outorgada.

Faltando 469 dias para o início dos Jogos Olímpicos, 89% destas 27 obras já estão com contratos em execução, com muitas, inclusive, em andamento, segundo a prefeitura.

"A gente buscou alternativas que evitassem elefantes brancos. Vamos fazer coisas muito bonitas, muito arrumadas, mas que não serão homenagens ao desperdício de dinheiro público", garantiu Eduardo Paes.

Só não mencionou nesta entrevista se o que ele define como "não desperdiçar recurso público" inclui ou não os gastos milionários para uma terceira reforma do Maracanã em menos de 10 anos (PAN 2007, Copa 2014, Olímpiadas 2016). Entre outras obras altamente questionadas.

Questionado pela poluição na Baía de Guanabara, onde acontecerão as provas de vela, Marcelo Pedroso afirmou que a região já cumpre "com todos os requisitos internacionais". Também não há informação sobre melhoria da qualidade da água da lagoa Rodrigo de Freitas, importante ponto turístico da cidade.

Como se vê, no quesito “cinismo olímpico”, seja na submodalidade limpeza de águas ou na submodalidade gastos públicos a favor das empreiteiras, a prefeitura do Rio, apoiada pelo PT e pelo governo Dilma, já está com medalhas de ouro garantidas.

EFE/Esquerda Diário




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