Mundo Operário

BREQUE DOS APPS

PT/CUT e PCdoB/CTB somem e não constroem a greve dos apps

Resumindo sua atuação a algumas notas formais ou postagens nas redes sociais, as centrais sindicais dirigidas pelo PT e PCdoB não fizeram nada para apoiar a fundamental luta dos entregadores de aplicativos nesse 1 de julho.

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do país, com adesão de milhões de trabalhadores filiados a milhares de sindicatos que se organizam sob sua tutela, poderia ter cumprido um papel fundamental para que a histórica greve dos entregadores de aplicativos que ocorre nessa quarta-feira, 1, fosse um movimento ainda muito mais forte e expressivo, que fosse a fagulha para incendiar o país. Com menos peso, mas ainda assim com uma presença imensa no movimento operário, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também teria capacidade para desempenhar um papel muito importante de fortalecimento dessa luta. Contudo, dirigidas respectivamente por PT e PCdoB, vemos que o imobilismo – na melhor das hipóteses – é o que dá o tom à atuação desses gigantes sindicais.

Ao entrarmos em seus sites, podemos encontrar artigos como esse ou esse que denunciam as situações absurdas a que estão expostos esses trabalhadores. Nas redes sociais também vemos postagens das centrais manifestando apoio à paralisação internacional.

Se a luta de classes se desse apenas aí, nas redes, poderíamos, sendo muito complacentes, dizer que eles fizeram “alguma coisa”. Ainda que, mesmo nesses termos, seria algo só “para constar”, já que poderíamos esperar que mesmo nos ambientes virtuais, a capacidade mobilizadora dessas centrais seja imensuravelmente maior, convocando trabalhadores e simpatizantes a promover uma grande agitação e medidas de apoio.

Mas a verdade é ainda muito, porque o terreno fundamental onde os sindicatos deveriam atuar, que é em cada local de trabalho, do chão das fábricas às baias de telemarketing, dos comércios aos ônibus. Os dirigentes desses sindicatos filiados à CUT e CTB deveriam ter colocado em marcha um verdadeiro plano de guerra, se apoiando na mobilização espontânea dos entregadores contra as condições ultra-precárias de trabalho para fazer disso um ponto de apoio para deslanchar uma luta de todos os trabalhadores contra os absurdos que estão ocorrendo com toda a classe, que vão desde as reformas de Temer e Bolsonaro, passando pelas demissões em diversos setores, até a falta de EPIs e medidas de segurança elementares contra a COVID-19.

Imaginem o que seria, por exemplo, se o poderoso Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, bastião histórico da CUT, paralisasse um turno da produção das grandes montadoras em apoio aos entregadores?

No caso da CTB é ainda pior, pois numa categoria essencial em que são a principal força no sindicato, os metroviários de São Paulo, eles tiveram uma atuação traidora. A categoria dos metroviários acaba de ter um imenso ataque aos seus direitos anunciados, e se preparava para uma forte aliança com os entregadores paralisando também nesse dia 1. Contudo, um recuo tático da empresa, acenando com as ilusórias negociações judiciais – sendo que esse ataque já representa uma quebra ilegal do acordo coletivo já firmado anteriormente – foi o suficiente para que a direção do PCdoB/CTB (com o lamentável apoio de PSTU e setores do PSOL) defendesse ontem, 30, a suspensão da greve marcada para hoje. Essa paralisação conjunta, com os metroviários levantando não somente a defesa de seus direitos, mas também a luta para que os entregadores tenham os mesmos direitos que eles, seria um marco histórico, uma unidade de setores da classe que não apenas representaria um golpe contundente nas patronais e governos, mas um possível estopim para algo ainda maior.

No caso da CUT e CTB, como vemos com a “divisão de tarefas” que fazem esses partidos entre a inação das centrais que dirigem e os ataques feitos pelos seus governadores, como Fátima Bezerra (PT/RN) ou Flávio Dino (PCdoB/MA), se trata de fato de uma atuação completamente por dentro desse regime político apodrecido, onde tudo o que veem são as perspectivas eleitorais e como conseguir abocanhar mais cargos e governos dentro desse governo. Querem ser eles a implementar os ataques, como vemos com as reformas da previdência estaduais que estão levando adiante. Por isso, é preciso seguir lutando e exigindo que nossos sindicatos rompam com esse jogo e estejam ao lado dos trabalhadores, lutando por nossos direitos.

Contudo, além desses partidos que já estão vendidos para esse regime corrupto dos patrões, há partidos que são efetivamente de esquerda, como PSOL e PSTU, e que possuem uma importância política relativa. Vemos parlamentares do PSOL apoiando os entregadores, e mesmo usando sua projeção para divulgar sua luta. Mas, contraditoriamente, no caso do metrô, caíram quase todos no “canto da sereia” da negociação judicial, ao invés de confiar na força de uma aliança concreta na luta de classes para derrotar tanto o governo Doria como as empresas de aplicativos. Por outro lado, essa atitude de pouca confiança nos métodos da luta de classes e muita nas instituições do regime se expressa em que dediquem suas forças a construírem iniciativas em comum com nossos inimigos de classe, como vimos nessa live, em que empresários e partidos patronais participaram lado a lado com figuras importantes do PSOL.

É hora de jogarmos todo o nosso peso para apoiar ativamente e construir a luta dos entregadores, procurando unifica-la com todos os setores de trabalhadores. A força da nossa classe mobilizada é o que poderá apontar uma saída política e contra os ataques e a precarização do trabalho.




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