Gênero e sexualidade

28S: DIA LATINO AMERICANO E CARIBENHO DE LUTA PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

O direito ao aborto precisa ser conquista com nossa luta

No próximo dia 29 está sendo organizado por milhões de mulheres no Brasil inteiro manifestações contra o inimigo direto das mulheres, Bolsonaro. Suas posições machistas tentam calar as vozes das mulheres para melhorar as condições de exploração capitalista no país, mas as mulheres já mostram nas redes sociais que não aceitarão passivamente sua política reacionária. Se essas manifestações se pautarem por um claro conteúdo de independência de classe, sem alianças com os golpistas ou com mulheres burguesas como Ana Amélia, Kátia Abreu e Marina Silva, nossa luta pode ter a força necessária para derrota-lo e também outras demandas, como a luta pela legalização do aborto no país que deve ser colocada também em debate nessas eleições manipuladas.

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

sexta-feira 28 de setembro| Edição do dia

No Brasil 1300 mulheres morrem por ano em decorrência de abortos clandestinos. De cada 4 mulheres que morrem, 3 são mulheres negras. A crise internacional avança e a direita e os golpistas querem fazer com que os trabalhadores paguem pela crise, onde serão as mulheres atacadas duplamente com a retirada de direitos. Em meio à eleições manipuladas muitos candidatos fazem demagogia com os direitos das mulheres, outros se declaram diretamente contra estes direitos para seguir mantendo o lucro dos capitalistas, como Bolsonaro. Mas se as mulheres marcham com independência de classe, sem conciliar com golpistas como Ana Amélia e Marina Silva, como quer o PT, podemos apontar o caminho para combater a extrema direita nas manifestações marcadas em todo o país para o próximo dia 29 contra o reacionário Bolsonaro. Não podemos entregar nossa energia e confiança nas estratégias do “mal menor” acreditando que os demais candidatos apontarão garantia de nossos direitos quando os mesmos manterão o pagamento religioso da dívida pública e vão seguir descarregando a crise duplamente sobre as costas das mulheres em maior ou menor medida.

No governo Temer, desde o golpe em 2014, os investimentos para o combate à violência contra as mulheres caíram em 79%, sendo o governo conivente com nossas mortes. Aprovaram a reforma trabalhista e a terceirização irrestrita no país onde antes mesmo deste ataque ser aprovado as mulheres negras já recebiam em média 60% a menos que o salário de um homem branco. Essa é a cara do golpismo e da direita que quer fazer com que nós mulheres carreguemos o fardo da crise para garantir os lucros capitalistas com o pagamento religioso da dívida pública.

Bolsonaro, o filho descontrolado da Lava Jato, tem ódio das mulheres e faz questão de provar isso todos os dias. Ataca as mulheres por lutarem pelo direito ao aborto, é favorável à censura nas escolas defendendo o Escola Sem Partido e a proibição da educação sexual no país onde milhares de LGBTs e mulheres morrem por LGBTfobia e em decorrência de feminicídios. Se diz "a favor da vida" mas afirma que "as filhas são fraquejadas dos maridos", ou justifica que empresários paguem menos às mulheres porque engravidamos e não "rendemos o lucro" necessário aos capitalistas, sem contar sua grotesca e absurda incitação ao estupro contra Maria do Rosário. Estes são estes poucos dos muitos exemplos que fazem as mulheres se revoltarem contra suas declarações absurdas que fazem as mulheres pagarem com suas vidas cotidianamente.

VEJA TAMBÉM: Bolsonaro ataca os direitos das mulheres para melhor defender os patrões

Questionado sobre o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, uma luta histórica das mulheres, Bolsonaro afirmou que caso o Congresso aprove uma lei que flexibilize o aborto ele vetaria a proposta se eleito presidente. Em tempos de eleição onde todos os candidatos vem as público colocar seus programas, não somente Bolsonaro se coloca como ator direto contra esse direito elementar das mulheres, como também os demais candidatos como desenvolvemos neste artigo.

Não podemos depositar esperanças também que a vitória da luta pelo direito a legalização do aborto virá nas urnas votando no PT de Haddad, pois em 13 anos de governo foi este partido que possibilitou que as mulheres seguissem morrendo em decorrência de abortos clandestinos por inúmeros acordos com a bancada evangélica em seus governos, sem nunca ter apresentado um único projeto pela legalização e abrindo espaço para que essa mesma direita que hoje está fortalecida chegasse aonde chegou. A candidata Marina Silva chegou a se alinhar muito ao discurso de Bolsonaro, colocando ser contra a legalização do aborto “por uma convicção filosófica e de fé”. Ciro Gomes é outro que já se mostrou contra este direito das mulheres ao afirmar que a discussão sobre aborto não é tarefa do presidente da República e ainda complementou dizendo que "não é sua intenção confrontar cristãos". Todos candidatos unidos contra os direitos das mulheres, principalmente as mulheres negras, vítimas fatais do aborto clandestino no país.

Ou seja, não devemos nos iludir, nós mulheres, de que nossos direitos serão conquistados votando neste ou naquele candidato a presidência. Pelo contrário, devemos ter claro que derrotar essa direita reacionária passa por construirmos uma forte voz da luta das mulheres que seja independente inclusive do PT, que defenda o direito ao aborto e cada reivindicação do movimento de mulheres e que diga que nossa força pode ir por mais, podemos lutar contra os ataques dos golpistas e dos patrões, podemos nos enfrentar com os capitalistas. É necessário ter em vista que esta luta deve ser feita de forma independente do PT pois este partido sempre negociou nossos direitos nos seus anos de governo enquanto fizeram empresários e banqueiros lucrarem com nossas vidas e foram coniventes com as milhares de mortes de mulheres, e que agora com Haddad candidato mostra que estão com a mesma estratégia ao fazer alianças com golpistas e apontando que quer discutir a Reforma da Previdência.

Desta forma, chamamos todas as mulheres a se organizarem no próximo dia 29, sábado, junto ao Pão e Rosas num bloco independente contra Bolsonaro, o golpismo e para que os capitalistas paguem pela crise, mas principalmente para batalhar em cada local de trabalho e estudo a luta por um feminismo socialista e com independência de classe. Veja abaixo todos os blocos onde o Pão e Rosas se reunirá no próximo sábado, e em SP confirme aqui sua presença no bloco do Pão e Rosas SP: https://www.facebook.com/events/2143621102623088/




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