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DEMISSÕES INDÚSTRIA

O ano de 2015 ainda pode ser pior para o setor industrial segundo estudo da CNI

quinta-feira 9 de julho de 2015| Edição do dia

(Foto: Antônio Pinheiro/GERJ)

2015 tem sido um ano difícil para os trabalhadores. O desemprego, que já esta em 6%, continua aumentando, assim como o custo de vida, junto aos ataques do governo com a flexibilização de leis trabalhistas. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que entrevistou 2.307 companhias do setor extrativo e de transformação, 60% delas afirmaram que vão cortar vagas ou adotar medidas de redução de custo – como diminuição de turnos das fábricas e uso de férias coletivas. A queda nas vendas, para 68% das entrevistadas, é o maior motivo das demissões. A pesquisa também aponta que mais de um terço das indústrias (36%) vai demitir para reduzir custos. No setor automotivo, que é o mais atingido pela crise, 73% das indústrias cortaram vagas. O estudo também apontou que 150.000 empregos foram eliminados na indústria como um todo.

A crise nas vendas vem fazendo as indústrias reduzirem a produção para alinhar aos novos ritmos de vendas. Apenas de janeiro a maio de 2015, a produção recuou 6,9% ante o mesmo período de 2014. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o problema é disseminado – 71,4% dos produtos teve corte na produção –, mas o principal recuo veio do setor de veículos automobilísticos.

Segundo pesquisa, encomendada também pela CNI, a utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria reduziu de 80,5% em abril para 80,1% em maio. Este dado é dessazonalizado, a UCI sem ajustes passou de 80,5% para 80,2% no mesmo período de comparação; a entidade informa que a queda se deve a ociosidade do parque fabril que aumentou em maio e, segundo a confederação, isso fica evidente quando compara-se os resultados de maio de 2015 com o do mesmo mês de 2014, onde observa-se queda ainda mais intensa (1,1 ponto percentual).

Embora o faturamento real da indústria tenha apresentado melhora com alta de 1,6% na comparação de abril com maio, ela apenas reverte parte da queda sofrida no mês anterior. Na comparação anual, o faturamento real caiu 10,1% e nos cinco primeiros meses do ano queda de 7,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Diante desse cenário complicado para os trabalhadores, que prevê mais demissões e faz o medo do desemprego subir, as centrais sindicais não defendem os trabalhadores mais sim muitas vezes ajudam o governo nos ataques a classe trabalhadora. A reacionária Força Sindical comemorou a aprovação da PL 4330 da Terceirização, e a CUT com sua estratégia de contenção das bases e defesa do governo, com “jogadas de efeito”, mas "pelo alto", sem mobilização real, teve seu antigo projeto, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) aprovado esta semana. É preciso que os sindicatos combativos e antigovernistas e centrais sindicais de oposição pela esquerda ao governo, como CSP-Conlutas e Intersindical, se coloquem na linha de frente na defesa dos trabalhadores, e que os parlamentares, em especial os do PSOL e do PSTU, apresentem projetos de lei que busquem impedir as demissões e a carestia de vida dos operários.




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