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Notas sobre a situação Síria

quinta-feira 3 de março de 2016| Edição do dia

A situação político-militar tem mudado sensivelmente nas últimas semanas, principalmente se compararmos com um ano atrás, onde tudo indicava um avanço das forças anti-regime de Assad, sendo essas majoritariamente islâmicas e apoiadas pelo eixo Arábia Saudita-Turquia.

Para socorrer seu aliado histórico, que se encontrava nessa situação, foi que em setembro do passado ano, Vladimir Putin, presidente da Rússia, ordena o início da intervenção militar, utilizando até o momento, “apenas a força aérea”. Embora Putin, tal qual EUA, utilizasse o argumento de combater o Estado Islâmico (EI), Rússia, na verdade buscou reforçar posições de seu histórico aliado, contra todo tipo de opositor ao regime islâmico ou não , um conjunto de forças que soma desde Al Qaeda, Exercito Sírio Livre e um incalculável número de outros grupos, sendo que quem realmente combateu o EI foram as milícias kurdas. Somadas a ação pelo ar da Rússia, Iraque, Iran e Hezbollah moveram milhares de soldados para ação no terreno de guerra.

Essas ações, força aérea russa, exércitos iraquianos, iranianos e Hezbollah por terra, alteraram de sobre maneira a correlação de forças internas na Síria, levando aos rebeldes anti Assad a perderem importante região de Aleppo, o que provocou o corte de suprimentos até a Turquia, um dos principais fornecedores dos rebeldes.

Isso para nada significa que a situação esteja resolvida para o lado de Assad, ao contrário, tudo indica que avança tendência a mais disputas na região de Aleppo até a fronteira com a Turquia. No momento, existem três forças disputando o controle da região. Em primeiro lugar, como já falamos acima, as forças que apóiam o regime de Assad. Em segundo o EI, e o terceiro, as milícias Kurdas, único setor relativamente progressista.

Essa situação deixa claro que o eixo Turquia-Arábia se encontra em uma situação bastante difícil do jogo de estados da região, lembremos que a intenção de Erdogan, Primeiro Ministro turco, sempre foi anexar o norte da Síria, reconstruindo um pequeno Império Otomano.

Sem nos esquecer do grande problema para Turquia que é o fortalecimento da luta kurda. Por outro lado, Irã se encontra, nesse momento fortalecido, tanto pela sua participação na Síria, como também, pelo acordo que conseguiu assinar com as potências mundiais, que o possibilita a voltar ao mercado mundial de petróleo.

Toda essa situação de “guerra de todos contra todos” faz que prognósticos sejam difíceis. Como a própria trégua acertada recentemente, e muito parcialmente acatada, demonstra, está muito difícil encontrar algo que seja aceitável pelos diversos atores. Assim, não podemos descartar uma escalada de proporções incalculáveis com a entrada de outros países, ou mesmo, com os países em ação aumentando sua participação, esse não parece ser o mais provável, mas insistimos não é um cenário descartável.

Seja qual for o cenário que se consolide, o certo é que nenhum deles é em si progressista. Tanto os rebeldes, como o regime de Assad são forças diretamente reacionárias. Caso Assad saia vencedor, Rússia irá cobrar o preço de transformar o país em uma espécie de protetorado. Por sua vez EUA, age da mesma maneira com seus aliados como já vimos na Líbia. Como dissemos acima, o único setor relativamente progressista são as milícias kurdas do norte da Síria, dissemos relativa por não passar, até o momento pelo menos, os limites de uma região e de defenderem, como fim um regime democrático burguês.




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